Pássaro em nanquim

Essa postagem vai ser mais uma daquelas curtinhas, só para mostrar o resultado de um desenho que mostrei ainda em progresso no Twitter do Vinho Tinta.

Fazia muito tempo que eu não desenhava com nanquim (nanquim mesmo, com o pincel e a tinta, não com canetas nanquim) e estava com saudade. Eu tenho uma pasta no meu computador só com fotos interessantes para utilizar como referência, então saquei uma foto linda de um passarinho (essa aqui) e comecei a fazer o desenho. Fiz um rascunho rápido com lápis 2B, pois estava ansiosa para pegar o nanquim. As flores, por exemplo, foram feitas direto com o nanquim.

Utilizei papel Canson 224 g/m² em tamanho A5. Na verdade, esse meu bloco de papel é A3, mas peguei algumas folhas e cortei em tamanho A5, para “quebrar o galho” enquanto não compro outro bloco para aquarela. Essa gramatura não é a ideal para técnicas molhadas, mas lembra daquela nossa conversa sobre não deixar a falta de material nos impedir de desenhar? Com um pouco mais de cuidado e um pouco menos de água, o 224 g/m² aguenta bem o nanquim.

O resultado foi esse aqui:

Pássaro com flores - nanquim.jpg

No desenho original, o fundo tem um leve degradê acinzentado, conseguido com nanquim bem diluído, mas que o scanner não conseguiu pegar. O nanquim que utilizei é o da Talens e os pincéis são da Tigre, com cerdas naturais (de pelos de marta, de marta tropical e de orelha de boi).

Mas a estrela da postagem de hoje é o bichinho de luz (nome que dou a todos os bichinhos que ficam voando perto da luz e que não sei o nome de verdade). Olha onde a criatura foi pousar:

bichinho.jpg

Achei tanta graça! Ainda bem que deu tempo de tirar uma foto do passarinho abrindo o bico para comer o bichinho B-)

 

 

Um abraço e até mais,

 

Nani

 

 

 

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Participando do Projeto Ilustra

Olá!

Se você é uma pessoas que vasculha a internet atrás de inspirações para futuros trabalhos já deve ter topado com o Projeto Ilustra.

Um belo dia, estava eu fazendo minha peregrinação pela blogosfera para ver o que estava acontecendo e percebi que o pessoal estava desenhando sobre o mesmo tema. Era o Projeto Ilustra, projeto idealizado pela  Ana Blue, que havia convidado várias ilustradoras para fazer desenhos mensais sobre determinado tema. Na época lembro de ter visto comentários das leitoras perguntando como fazia para participar. Fiquei com vontade também, mas já estava conformada com ficar atrasada, sabendo do tema apenas depois de todo mundo ter feito e fazendo depois. Entretanto, as meninas (não lembro de ter visto nenhum menino participando) abriram o projeto para a galera. Fiquei sabendo primeiro pela Lidy Dutra, mas logo vi postagens nos outros blogs, inclusive da Ana Blue, convidando as leitoras e explicando as regras. Tava aí minha chance, né?

Vou começar a partir de abril, então ainda não tenho desenhos para mostrar referentes a esse projeto. Mas, só para a postagem não ficar sem graça, dei uma fuçada nas minhas pastas e encontrei desenhos que se encaixam em todos os temas anteriores. Todos eles são em tamanho A4.

Tema de janeiro: Hora do chá/café

Estudo em aquela IV - aquarela

Esse foi um dos primeiros desenhos com aquarela que fiz e fiquei tão orgulhosa dele que é um dos meus preferidos até hoje, mesmo vendo um monte de problemas. Fiz esse com papel Canson 300g/m², aquarela em pastilha da Koh-I-Noor, pinceis redondos Tigre (de pelo de orelha de boi, marta tropical e marta) e contornei os olhos com nanquim Talens.

Tema de fevereiro: Metas artísticas

O corvo (Lápis 6b e 8b).jpg

Para representar esse tema, escolhi o desenho acima. Encontrei o desenho original na internet, imprimi e tentei refazer, como exercício (aliás, não me lembro do site que consultei na época, então…se alguém souber quem é o desenhista original, avise para eu poder citar certinho :D). Era um desenho muito difícil, baseado em um poema que gosto muito: The Raven, de Edgar Allan Poe (você pode ler o original aqui, ou a lindíssima tradução para o português, do Fernando Pessoa, aqui). Com esse desenho pretendo demonstrar meu compromisso com sair da zona de conforto, uma das metas que tenho buscado nesse ano. Apesar de o grafite ser um material com o qual me sinto à vontade, esse desenho foi muito difícil, pois tinha muito movimento, tecido, uma figura masculina de corpo inteiro, objetos em perspectiva… todas coisas que me desafiam muito. Além disso, demorei muitos dias para fazer esse desenho e terminá-lo foi uma vitória, pois, normalmente, quando vejo que as coisas não estão dando certo ou demorando muito, fico aborrecida e abandono o desenho pela metade. Com esse desenho começou meu compromisso de terminar as coisas que começo antes de partir para outras e superar minhas dificuldades, pois não é abandonando os desenhos que me dão trabalho que vou aperfeiçoar minhas técnicas. Esse desenho foi feito com papel Canson 90g/m²,  lápis 6b e 8b da Koh-I-Noor e esfuminhos número 6 e 1 (que não sei a marca).

Tema de março: Cena de série

bailarina (detalhe) - grafite 6B e lápis de cor.jpg

Esse é meio antigo… olha a data! Olha também a diferença na assinatura. Antes ela era grande e com data, hoje procuro ser mais discreta e coloco a data apenas no verso do desenho.

Eu nunca desenhei uma cena de série, então precisei apelar para uma cena de filme. Essa cena é de um filme de 1948: Sapatinhos vermelhos (Você pode ler a sinopse e ver o trailer aqui). O filme foi baseado em um conto de Hans Christian Andersen. No conto original uma garota órfã engana a senhora que a havia adotado para ir com sapatos vermelhos à igreja, sendo que deveriam ser pretos (em sinal de humildade), e é punida por sua vaidade com uma maldição. Os sapatos ganham “vida” e a garota deveria dançar até que sua carne despregasse dos ossos. No seu desespero, arrependida e desejando a morte, ela pediu para o carrasco da cidade cortar seus pés (pois, se cortasse sua cabeça, não poderia expiar seu pecado). A garota continua a ser assombrada pelos pés cortados, que continuam dançando com seus sapatinhos vermelhos. A história termina com um cena transcendente que culmina com o coração da jovem arrebentando e sua alma subindo ao céu (você pode ler essa e outras histórias do autor aqui).

Pois é, muitos dos contos infantis que conhecemos são muito mais sombrios, violentos e polêmicos do que a versão que nos contaram quando pequenos. O filme Sapatinhos vermelhos não é exatamente sobre a história da garotinha do conto original, mas sobre uma bailarina que é chamada para estrelar o espetáculo Sapatinhos vermelhos, esse sim, baseado na obra de Andersen. A história da garotinha acaba se tornando uma metáfora da vida da bailarina. O filme é muito bonito, com certeza recomendo. Todo construído dentro universo do balé clássico e contando com uma das melhores bailarinas da época no elenco… não tem como não se apaixonar.

O que me motivou a desenhar uma cena do filme foi a dualidade entre a beleza e a morte, entre a leveza e o sofrimento, entre a suavidade e o desespero… é tudo tão lindo e tão horroroso. Achei que essa cena em especial (quando a bailarina tenta se sentar, exausta, mas seus pés continuam em posição de dança e a fazem se levantar imediatamente) é muito emblemática. Fiquei bastante orgulhosa desse desenho quando fiz também. A perspectiva do chão ficou ruim, mas a transparência da saia ficou ótima e a mão segurando o vestido com força, num sinal de desespero, contrastando com a delicadeza do movimento dos pés contribuem para transmitir aquelas dualidades que me motivaram a fazer o desenho.

Essa bailarina faz parte de uma série de desenhos que fiz quando voltei a desenhar (falarei ainda sobre isso), então foi uma época que eu já nem tinha mais muitos materiais em casa. Fiz em papel Chamex 75g/m² (sim, aqueles de imprimir que amassam quando você apaga), lápis de cor escolar da Faber-Castell, lápis 6b sabe-se lá de qual marca e uma borracha vagabunda qualquer. Essa é a prova de que não é preciso muito para fazer um desenho do qual se orgulhe, então não existe desculpa para não desenhar.

 

Agora é só aguardar para saber o tema do Projeto Ilustra do mês de abril e começar os desafios!

 

Bora participar também?

 

Até mais,

 

Nani