Fim do Projeto Ilustra

Olá! Fim de mês era dia de Projeto Ilustra aqui no blog, mas, ao invés de um desenho, hoje eu tenho uma notícia triste… o projeto acabou 😦

Assim como aconteceu em junho, eu não conseguia encontrar o tema de agosto nas redes sociais das participantes; mas, dessa vez, a gata escaldada resolveu perguntar qual era o tema para a Ana Blue, criadora do projeto. Foi aí que ela disse que estava dando um tempo no projeto, porque o pessoal tinha desanimado.

Eu não participo do grupo original, entrei no projeto quando abriram para o público, mas eu já tinha notado o desânimo geral.  Nós primeiros meses, mesmo atrasando, o pessoal ainda postava seus desenhos, mas, com o passar do tempo, cada vez menos ilustradoras compartilhavam os resultados de seus desafios.

Eu entendo a dificuldade de se envolver com um projeto anual. Em janeiro a gente não sabe como estará em agosto… a maioria das garotas é freela e realmente precisa aproveitar as oportunidades de trabalho quando aparecem, o que implica, muitas vezes, em abandonar projetos pessoais. Ninguém está “traindo o movimento” por isso. Mas eu confesso que estava me empenhando para conseguir cumprir as metas, mesmo com as dificuldades que o cotidiano nos coloca, e fiquei chateada com o final dele.

Na verdade, tenho me decepcionado repetidas vezes com projetos que envolvem muitas pessoas, pois, nessas situações, não dependemos apenas do nosso tempo e empenho, mas do tempo e empenho das outras pessoas também, e às vezes elas não estão na mesma vibe que nós… e não é culpa delas. Antes eu me sentia pior quando um projeto coletivo acabava antes do que deveria porque as pessoas envolvidas o abandonavam, mas uma coisa que a gente aprende com os anos é a perceber como cada pessoa é diferente e entende o mundo de maneira diferente. Não podemos usar apenas a nossa régua para medir o mundo.

O momento de cada pessoa é algo muito particular e só a própria pessoa sabe qual é o momento que ela está vivendo… e alguns momentos afetam não apenas a questão do tempo disponível para se envolver com desafios extras, mas também sua própria produção criativa. Tem época que estamos simplesmente travados, não sai nada, ou sai uma coisa só… outras não… faz parte daquele momento. Não podemos exigir das pessoas mais do que elas podem oferecer naquele momento. Quando comecei a entender isso, fiquei menos chateada por estar me empenhando muito em algo e não reconhecer nas outras pessoas o mesmo ímpeto. Seja lá o que estivesse me motivando, não necessariamente estava motivando os outros, então eu não poderia esperar que se comportassem como eu estava me comportando, seria muito egoísmo de minha parte.

A Ana Blue disse que outra pessoa ia assumir o projeto e ele ia mudar um pouco, mas ainda não vi ninguém se manifestar a respeito, e hoje já era dia de postar resultados… então acho que acabou mesmo. É uma pena, mas acontece com frequência o bastante para sabermos que outros virão 🙂

Enquanto isso, o blog segue com meus desafios pessoais, informações e outros desenhos 🙂

Eu até pensei em já adiantar nessa postagem alguns projetos novos que estão pipocando na minha mente, mas prefiro fazer uma postagem só para isso. De qualquer maneira, pode esperar que em breve tem projeto novo no blog!

 

Você também ficou “órfão” de algum projeto? Conta pra gente nos comentários!

 

Um abraço e logo!

 

Nani

 

 

Projeto Ilustra (julho)

Chegamos a mais um final de mês, e como você sabe… é dia de mostrar o resultado do Projeto Ilustra! O tema desse mês era: receita ilustrada. Aproveitei o tema para tirar do papel uma ideia que eu estava para fazer há algum tempo.

Faz um bom tempo que eu vi uns quadrinhos com receitas de drinks para decorar a cozinha e achei uma ideia muito charmosa. Desde então decidi fazer algumas pinturas dessas para mim mesma, para usar como decoração.

Decidi que a primeira receita seria de caipirinha, porque é uma das poucas coisas que sei fazer e é uma bebida bonita, achei que daria um desenho bacana. Fiz o desenho em aquarela, pois ando querendo treinar o máximo possível dessa técnica. O resultado não me agradou muito… mas pelo menos a receita funciona 😉

receita de caipirinha - aquarela.jpg

Para esse desenho, usei papel Canson 224g/m² em tamanho A5, aquarelas em pastilhas Koh-I-Noor, caneta nanquim Staedtler (ponta 0,8) e caneta Posca dourada com ponta pincel.

Aquarela tem sido minha pedra no sapato. Tenho muito mais facilidade com técnicas secas. Eu nem dava muita importância para a aquarela há tempos atrás, pois eu achava um negócio aguado sem graça, sem força, sem vida. Mas depois percebi que, na verdade, eu que nunca tinha usado boas aquarelas. Com o material certo, percebi que a aquarela não é nada sem graça.

Agora estou obcecada por aquarela. Sim, porque agora que superei minha indiferença, preciso superar minha dificuldade. A vida toda trabalhei com grafite e lápis de cor, quando muito com tinta de tecido… e um pouco de tinta óleo; mas, via de regra, construí minhas bases sobre o material seco… e é com ele que me sinto confortável.

Mesmo materiais novos (como quando comecei a usar carvão e pastel) não me intimidam, desde que sejam secos. Mas com aquarela a conversa é bem outra. Quando comprei meu primeiro (e único, por enquanto) estojo de aquarela, eu não sabia nem por onde começar. Não sabia quais pinceis usar… como fazer as manchas… fiquei um bom tempo só estudando “teoricamente”, sem ousar pegar no estojo. Hoje já criei a coragem necessária para fazer meus testes e confesso que estava bastante empolgada com alguns desenhos que estava conseguindo fazer… as manchas estavam ficando bonitas… parecia que eu estava começando a pegar o jeito… mas minhas últimas pinturas não têm me agradado (isso inclui o Projeto Ilustra desse mês). Tenho percebido isso nas minhas últimas pinturas… e isso está me deixando frustrada. As manchas, em especial, têm me incomodado muito. Perceba que no fundo do desenho da caipirinha tem uns riscos de cor depositada. Isso aconteceu porque o papel enrugou muito enquanto eu pintava e formou uns bolsões de água colorida. Eu tentei dar um jeito… mas não funcionou. Isso tem acontecido em vários desenhos e estou começando a ficar chateada.  Acho que esse problema vou conseguir resolver comprando outro papel. O desenho abaixo, por exemplo, foi feito no ano passado (foi um dos primeiros que fiz), na época em que eu ainda tinha um medo infinito de pegar no estojo de aquarela. Apesar disso, ficou com as manchas muito mais bonitas. Thiago no cemitério - aquarela.jpg

A diferença entre esse desenho e o da caipirinha é que nesse eu usei papel Canson 300g/m², próprio para aquarela (da linha universitária mesmo), então ele não formou poças de tinta. Ando querendo testar aquele Montval, da Canson. Já li várias resenhas em que o pessoal fala muito bem dele.

Também pretendo comprar mais algumas cores de aquarela, pois acho que o estojo de 12 cores que tenho hoje pode até funcionar para quem já tem um tempo de estrada e entende mais os caprichos dessa técnica. Eu, que sou novinha nesse mundo ainda, sinto falta de alguns verdes e vermelhos mais naturais… mais alguns azuis e amarelos… uns marrons mais quentes e algo que se pareça com um rosa/salmão.

Penso que fora isso (além de continuar estudando e treinando, é claro) não posso fazer mais nada. Penso também que deve ser natural minha dificuldade com a aquarela, pois comecei a trilhar seus caminhos só no final do ano passado… enquanto grafite e lápis de cor me acompanham desde quando era criança. Acho que preciso parar de comparar as duas coisas… pois, a não ser que eu abandone completamente as técnicas secas (o que está fora de cogitação)… eu sempre terei mais tempo de grafite do que de aquarela.

Peço desculpas a quem veio aqui para ver uma receita de caipirinha e acabou recebendo uma boa dose de lamentações sobre o processo de aprendizado de uma nova técnica. Fato é que não fiquei contente com o resultado do Projeto Ilustra desse mês… mas a gente nem sempre acerta, né? E mês que vem tem mais um tema 😉

 

 

Um abraço e até mais,

 

 

Nani

 

 

 

 

Projeto Ilustra (maio)

Olá! Último dia do mês é dia de mostrar o resultado do Projeto Ilustra!

O tema desse mês era: flores. Assim como o tema do mês passado, gostei muito da escolha deste mês.

Pensando a respeito do que desenhar, lembrei do livro A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, em especial do poema A flor e a náusea. Tenho meus problemas com alguns poetas, mas esse não é o caso do Drummond, dele eu gosto muito e recomendo para todos que não têm paciência para os jogos de palavras vazios que representam grande parte da poesia por aí.

Confesso que eu tinha escrito alguns parágrafos explicando meu desenho, o que eu pretendia com o traço, com as cores, com a composição em si… mas apaguei tudo e resolvi fazer diferente. Achei que aqueles parágrafos estavam delimitando a leitura do desenho e especialmente do poema. Por isso, deixo apenas o poema de Drummond e meu desenho abaixo para que cada um possa pensar e sentir por si mesmo e deixar nos comentários a sua leitura, seja do poema, do desenho ou dos dois. Quanto mais leituras, mais rica será a experiência!

A flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjoo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

 

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

 

a flor e a náusea - grafite 6B.jpg

E para quem ficou curioso quanto aos materiais, usei papel Canson 90g/m² em tamanho A5, lápis grafite 2B (da Faber-Castell) e 6B (da Koh-I-Noor) e os lápis de cor Prismacolor e Polychromos  (da Faber-Castell).

 

***

Fiz também outro desenho para o projeto nesse mês (já que o limite é de cinco), esse bem colorido e com mais flores.

Coração com Girassois - aquarela.jpg

Para esse eu usei papel Canson 300g/m² tamanho A4, aquarela em pastilhas e lápis aquareláveis Koh-I-Noor. Tudo feito, é claro, sob a supervisão da Aurora.

CAM01214.jpg

Espero que tenha gostado e não esqueça de comentar 🙂

 

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Até mais,

Nani

 

Projeto Ilustra (abril)

Último dia do mês é dia de Projeto Ilustra!

Hoje a postagem vai ser curtinha, apenas para mostrar o resultado do desafio desse mês, que foi desenhar algo com o tema fundo do mar. Gostei muito desse tema, pois já fazia um tempo que eu estava com vontade de desenhar peixes (o fundo do mar abriga umas criaturas de cores e formas muito bonitas, não é?) e essa foi a deixa!

Simplesmente digitei “fundo do mar” no Pinterest e fiquei me maravilhando com o colorido vivo dos peixes. No final, um par de peixinhos amarelos se escondendo ganhou meu coração (você pode ver a imagem que utilizei como referência aqui).

Para esse desenho utilizei meu caderno de rascunhos, cujas folhas são de papel Canson 90g/m² (tamanho A5), lápis de cor aquareláveis Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz e caneta gel branca Uni-Ball Signo. O resultado foi este:

peixes amarelos - lápis aquarelável koh-i-noor.jpg

Apesar de os lápis serem aquareláveis, utilizei como se eles fossem permanentes. Não vou falar muito sobre usar lápis aquareláveis sem aquarelar agora, pois estou escrevendo uma postagem só para isso, para mostrar tudo certinho, mas não gostei do resultado. Não pelo desenho em si, mas porque a pintura ficou granulada, as cores não se misturaram bem… definitivamente esses lápis não foram feitos para isso (embora aquarelando eles sejam perfeitos. Nessa postagem você pode ver como as cores se comportam bem em contato com a água).

Espero que tenha gostado!

Está participando do Projeto Ilustra também? Posta o link do seu fundo do mar nos comentários para a gente ver!

Aproveita e segue lá o Twitter do Vinho Tinta 😉

Até mais,

 

Nani

Participando do Projeto Ilustra

Olá!

Se você é uma pessoas que vasculha a internet atrás de inspirações para futuros trabalhos já deve ter topado com o Projeto Ilustra.

Um belo dia, estava eu fazendo minha peregrinação pela blogosfera para ver o que estava acontecendo e percebi que o pessoal estava desenhando sobre o mesmo tema. Era o Projeto Ilustra, projeto idealizado pela  Ana Blue, que havia convidado várias ilustradoras para fazer desenhos mensais sobre determinado tema. Na época lembro de ter visto comentários das leitoras perguntando como fazia para participar. Fiquei com vontade também, mas já estava conformada com ficar atrasada, sabendo do tema apenas depois de todo mundo ter feito e fazendo depois. Entretanto, as meninas (não lembro de ter visto nenhum menino participando) abriram o projeto para a galera. Fiquei sabendo primeiro pela Lidy Dutra, mas logo vi postagens nos outros blogs, inclusive da Ana Blue, convidando as leitoras e explicando as regras. Tava aí minha chance, né?

Vou começar a partir de abril, então ainda não tenho desenhos para mostrar referentes a esse projeto. Mas, só para a postagem não ficar sem graça, dei uma fuçada nas minhas pastas e encontrei desenhos que se encaixam em todos os temas anteriores. Todos eles são em tamanho A4.

Tema de janeiro: Hora do chá/café

Estudo em aquela IV - aquarela

Esse foi um dos primeiros desenhos com aquarela que fiz e fiquei tão orgulhosa dele que é um dos meus preferidos até hoje, mesmo vendo um monte de problemas. Fiz esse com papel Canson 300g/m², aquarela em pastilha da Koh-I-Noor, pinceis redondos Tigre (de pelo de orelha de boi, marta tropical e marta) e contornei os olhos com nanquim Talens.

Tema de fevereiro: Metas artísticas

O corvo (Lápis 6b e 8b).jpg

Para representar esse tema, escolhi o desenho acima. Encontrei o desenho original na internet, imprimi e tentei refazer, como exercício (aliás, não me lembro do site que consultei na época, então…se alguém souber quem é o desenhista original, avise para eu poder citar certinho :D). Era um desenho muito difícil, baseado em um poema que gosto muito: The Raven, de Edgar Allan Poe (você pode ler o original aqui, ou a lindíssima tradução para o português, do Fernando Pessoa, aqui). Com esse desenho pretendo demonstrar meu compromisso com sair da zona de conforto, uma das metas que tenho buscado nesse ano. Apesar de o grafite ser um material com o qual me sinto à vontade, esse desenho foi muito difícil, pois tinha muito movimento, tecido, uma figura masculina de corpo inteiro, objetos em perspectiva… todas coisas que me desafiam muito. Além disso, demorei muitos dias para fazer esse desenho e terminá-lo foi uma vitória, pois, normalmente, quando vejo que as coisas não estão dando certo ou demorando muito, fico aborrecida e abandono o desenho pela metade. Com esse desenho começou meu compromisso de terminar as coisas que começo antes de partir para outras e superar minhas dificuldades, pois não é abandonando os desenhos que me dão trabalho que vou aperfeiçoar minhas técnicas. Esse desenho foi feito com papel Canson 90g/m²,  lápis 6b e 8b da Koh-I-Noor e esfuminhos número 6 e 1 (que não sei a marca).

Tema de março: Cena de série

bailarina (detalhe) - grafite 6B e lápis de cor.jpg

Esse é meio antigo… olha a data! Olha também a diferença na assinatura. Antes ela era grande e com data, hoje procuro ser mais discreta e coloco a data apenas no verso do desenho.

Eu nunca desenhei uma cena de série, então precisei apelar para uma cena de filme. Essa cena é de um filme de 1948: Sapatinhos vermelhos (Você pode ler a sinopse e ver o trailer aqui). O filme foi baseado em um conto de Hans Christian Andersen. No conto original uma garota órfã engana a senhora que a havia adotado para ir com sapatos vermelhos à igreja, sendo que deveriam ser pretos (em sinal de humildade), e é punida por sua vaidade com uma maldição. Os sapatos ganham “vida” e a garota deveria dançar até que sua carne despregasse dos ossos. No seu desespero, arrependida e desejando a morte, ela pediu para o carrasco da cidade cortar seus pés (pois, se cortasse sua cabeça, não poderia expiar seu pecado). A garota continua a ser assombrada pelos pés cortados, que continuam dançando com seus sapatinhos vermelhos. A história termina com um cena transcendente que culmina com o coração da jovem arrebentando e sua alma subindo ao céu (você pode ler essa e outras histórias do autor aqui).

Pois é, muitos dos contos infantis que conhecemos são muito mais sombrios, violentos e polêmicos do que a versão que nos contaram quando pequenos. O filme Sapatinhos vermelhos não é exatamente sobre a história da garotinha do conto original, mas sobre uma bailarina que é chamada para estrelar o espetáculo Sapatinhos vermelhos, esse sim, baseado na obra de Andersen. A história da garotinha acaba se tornando uma metáfora da vida da bailarina. O filme é muito bonito, com certeza recomendo. Todo construído dentro universo do balé clássico e contando com uma das melhores bailarinas da época no elenco… não tem como não se apaixonar.

O que me motivou a desenhar uma cena do filme foi a dualidade entre a beleza e a morte, entre a leveza e o sofrimento, entre a suavidade e o desespero… é tudo tão lindo e tão horroroso. Achei que essa cena em especial (quando a bailarina tenta se sentar, exausta, mas seus pés continuam em posição de dança e a fazem se levantar imediatamente) é muito emblemática. Fiquei bastante orgulhosa desse desenho quando fiz também. A perspectiva do chão ficou ruim, mas a transparência da saia ficou ótima e a mão segurando o vestido com força, num sinal de desespero, contrastando com a delicadeza do movimento dos pés contribuem para transmitir aquelas dualidades que me motivaram a fazer o desenho.

Essa bailarina faz parte de uma série de desenhos que fiz quando voltei a desenhar (falarei ainda sobre isso), então foi uma época que eu já nem tinha mais muitos materiais em casa. Fiz em papel Chamex 75g/m² (sim, aqueles de imprimir que amassam quando você apaga), lápis de cor escolar da Faber-Castell, lápis 6b sabe-se lá de qual marca e uma borracha vagabunda qualquer. Essa é a prova de que não é preciso muito para fazer um desenho do qual se orgulhe, então não existe desculpa para não desenhar.

 

Agora é só aguardar para saber o tema do Projeto Ilustra do mês de abril e começar os desafios!

 

Bora participar também?

 

Até mais,

 

Nani