Minhas gatas em lápis de cor

Olá!

Faz poucos dias que eu finalizei um desenho de uma das minhas gatas, então decidi trazer o resultado aqui no Vinho Tinta. Quem segue o Twitter do Vinho Tinta já conhece essas lindonas (se você não segue, aproveita a deixa ;D).

Ultimamente tenho tentado diversificar nos materiais e nos desenhos, para sempre sair da minha zona de conforto. Quando ganhei os lápis aquareláveis da Koh-I-Noor (já falei um pouco sobre eles aqui) eu quis experimentar fazendo um desenho da minha gata. Na época eu só tinha uma, a Capitu.

Capitu, girassois e janela. Lápis aquarelável Koh-I-Noor.jpg

Esse aqui foi meu primeiro desenho com lápis aquareláveis sem aquarelar. Usei uma folha de papel Canson 90g/m² em tamanho A4, fiz o esboço com lápis grafite 2B da Faber-Castell e pintei, como já disse, com lápis de cor aquarelável Mondeluz, da Koh-I-Noor.

Note como as cores são fortes. Isso me deixou encantada na época, embora eu ainda não entendesse muito bem como proceder com esses lápis. Como eu estava habituada apenas a lápis escolares (mais duros), levei um tempo para conseguir dosar a força e minha “mão pesada” me fez quebrar a ponta do preto muitas vezes.

Eu tinha grandes expectativas sobre o branco, esperava que ele se sobrepusesse às outras cores (mas acho que um lápis de cor branco com essa capacidade é uma utopia), o que não aconteceu. Apesar de não ficar tão branco quanto eu tinha esperança, ele aparece bem, como você pode perceber nas partes mais iluminadas.

Tentei dar um toque surrealista no desenho com essa janela que não tem razão de ser. Ela está na frente do vaso de girassóis, e não tem como ela estar lá, pois ela deveria estar fixada na parede, mas não está fixada em lugar algum.

Terminei esse desenho bem decepcionada com a textura do lápis de cor no papel. Ficou meio “grosso” e embaçado, o que não dá para perceber pela foto, mas ao vivo eu achei o desenho meio opaco. Além disso, nesse desenho eu já comecei a perceber que as cores não se misturavam muito bem quando eu usava muitas camadas (hoje eu já superei essa decepção. A redenção do lápis aquarelável sem aquarelar veio com esse desenho aqui) .

Na época em que eu estava terminando  o desenho da Capitu, a Aurora, minha outra gata, apareceu na minha vida.

lápis de cor.jpg

Eu fiquei com um enorme peso na consciência por ter um desenho de uma das minhas gatas e não ter da outra. Sei que elas não se importam, mas meu coraçãozinho de mãe se sentia mal por parecer que eu gostava mais de uma do que da outra, porque só uma tinha ganhado um retrato. Eu não sosseguei enquanto não consegui desenhar a Aurora também.

Para esse desenho eu usei papel Canson 224g/m² em tamanho A4, lápis de cor Polychromos, da Faber-Castell, Coloursoft, da Derwent e Prismacolor, além da caneta gel branca uni-ball Signo, da Mitsubishi. Usei esse papel mais grosso, pois tinha a intenção de fazer com lápis aquarelável e aquarelar depois, mas no meio do caminho mudei de ideia e decidi fazer com lápis de cor permanente. Estou simplesmente apaixonada  por esses lápis, eles se misturam muito bem (menos os da Prismacolor, esses parecem ter uma textura mais oleosa que não se dá muito bem com os outros lápis na hora da fusão; em compensação, os da Prismacolor conseguem se sobrepor aos outros, o que pode ser uma vantagem) e têm as cores muito bonitas. Além disso, esses lápis são muito macios e têm alta resistência à luz.

Ando querendo desenhar mais animais e aproveitar mais minhas gatas como modelos também, então haverá mais postagens sobre elas por aqui. Estou pensando, inclusive, em contar um pouquinho da história delas, ao invés de apenas escrever sobre os desenhos, como fiz hoje. O que acha? Conta para mim lá nos comentários!

 

Até mais,

 

 

Nani

 

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Lista de desafios (desafio 11): girafa rupestre e respeito ao material

Olá!

Hoje trago o resultado de mais um desafio daquela lista que você já conhece (caso esteja chegando agora no Vinho Tinta, pode entender melhor clicando aqui). Dessa vez o desenho sorteado foi uma girafa e o estilo foi o rupestre. Mais uma vez achei que o destino facilitou minha vida, pois o desenho e o estilo sorteados combinam.

Para tornar o exercício mais interessante, fiz uma pesquisa rápida de referências, olhei algumas figuras e tentei desenhar de memória, sem consultar nenhuma referência durante o desenho.

Já comentei que não gosto de efeito do lápis de cor aquarelável sem aquarelar, mas dessa vez resolvi usar a textura “pastosa” com pontinhos de cor que não se misturam a meu favor, para criar uma pedra interessante que serviria de “tela” para minha girafa.

O desenho foi feito no meu caderno de rascunhos, que tem folhas tamanho A5 de papel Canson 90g/m². Não utilizei lápis grafite para esboço nem borracha, foi tudo feito com os lápis de cor aquareláveis Mondeluz, da Koh-I-Noor (já falei deles aqui). O resultado foi esse:

girafa rupestre - lápis de cor Koh-i-noor.jpg

Sou apaixonada por esse tom de marrom avermelhado mais à esquerda, por isso usei na sombra da pedra e no desenho da girafa. Como eu já não estava usando referência (pelo menos não diretamente), também me permiti utilizar umas cores fortes e menos realistas, como esse amarelo que predomina no lado direito.

Você pode perceber, especialmente nas partes em que precisei sobrepor mais cores, como a textura dos lápis fica granulada. É desse efeito que não gosto. Mas como o acabamento desse desenho era mais rústico, achei que funcionou. É por isso que é tão importante não desistir de um material só porque teve uma experiência ruim. Às vezes a culpa não é do material, mas da nossa falta de conhecimento sobre ele. Às vezes esperamos um efeito, mas o material nos dá outro… e não devemos odiá-lo por isso, mas guardar essa experiência e aprender com ela. Não somos obrigados a gostar de todos os materiais, mas é importante conhecermos bem suas características; assim, saberemos como tirar o melhor de cada material em cada situação e ampliaremos nossas possibilidades 🙂

Esse foi o primeiro desenho que fiz com esses lápis sem aquarelar que gostei do resultado. No início eu queria que se comportassem como lápis de cor permanentes que viravam aquarela magicamente só quando eu molhasse. Eles não são assim, a mina deles é diferente da dos lápis permanentes e não adianta querer que se comportem como algo que não são. A questão é que isso não é ruim, não é um defeito dos lápis, é a característica deles. Se eu quiser degradês e sobreposições suaves, devo trocar de material, pois esse entrega uma textura granulada, que pode ser útil em outros momentos.

Eu já sabia da importância de conhecer e de respeitar cada material, mas esse desafio veio para me lembrar disso.

 

Um abraço e até mais 🙂

 

Nani

 

 

Projeto Ilustra (abril)

Último dia do mês é dia de Projeto Ilustra!

Hoje a postagem vai ser curtinha, apenas para mostrar o resultado do desafio desse mês, que foi desenhar algo com o tema fundo do mar. Gostei muito desse tema, pois já fazia um tempo que eu estava com vontade de desenhar peixes (o fundo do mar abriga umas criaturas de cores e formas muito bonitas, não é?) e essa foi a deixa!

Simplesmente digitei “fundo do mar” no Pinterest e fiquei me maravilhando com o colorido vivo dos peixes. No final, um par de peixinhos amarelos se escondendo ganhou meu coração (você pode ver a imagem que utilizei como referência aqui).

Para esse desenho utilizei meu caderno de rascunhos, cujas folhas são de papel Canson 90g/m² (tamanho A5), lápis de cor aquareláveis Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz e caneta gel branca Uni-Ball Signo. O resultado foi este:

peixes amarelos - lápis aquarelável koh-i-noor.jpg

Apesar de os lápis serem aquareláveis, utilizei como se eles fossem permanentes. Não vou falar muito sobre usar lápis aquareláveis sem aquarelar agora, pois estou escrevendo uma postagem só para isso, para mostrar tudo certinho, mas não gostei do resultado. Não pelo desenho em si, mas porque a pintura ficou granulada, as cores não se misturaram bem… definitivamente esses lápis não foram feitos para isso (embora aquarelando eles sejam perfeitos. Nessa postagem você pode ver como as cores se comportam bem em contato com a água).

Espero que tenha gostado!

Está participando do Projeto Ilustra também? Posta o link do seu fundo do mar nos comentários para a gente ver!

Aproveita e segue lá o Twitter do Vinho Tinta 😉

Até mais,

 

Nani

Meus materiais 2: Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz (parte I)

Olá!

Hoje venho mostrar mais um dos materiais que utilizo nos meus desenhos, os lápis da marca Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz. A linha Mondeluz é a linha aquarelável da Koh-I-Noor e existem versões de 12, 24, 36, 48 ou 72 cores. Minha lindona é a de 48:

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Como dá  para perceber, minha caixa já está usada. Na verdade, poderia estar até mais usada. Eu ganhei essa caixa de presente de aniversário em setembro do ano passado, mas faz pouco tempo que superei meu medo infinito de gastar esses lápis.

Desde quando eu decidi investir em materiais melhores, eu estava namorando essa caixa , e no meu aniversário acabei ganhando (na verdade eu estava namorando a de 36 cores, então o presente saiu melhor que a encomenda! Amor ♥). Entretanto, como eu já comentei lá no Twitter do Vinho Tinta, o problema de materiais caros é que eles me bloqueiam, fico com muito medo de errar com eles e gastar material à toa (nenhum desenho é à toa, mesmo o desastrosos, pois eles nos dão experiência. Infelizmente, falar isso é mais fácil do que seguir).

A embalagem dessa caixa é de papelão, dentro há duas bandejas de plástico com 24 lápis cada, e na parte de baixo de cada bandeja vem um pincel (um número 3 e um número 8) , como é possível ver pelas fotos acima. Em um compartimento secreto vem um apontador:

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Olha os pincéis e o apontador aí:

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O apontador é muito simples, de plástico transparente, mais básico do que isso seria impossível. Não é nada que você não possa encontrar na papelaria da esquina e levar para casa por R$ 2; ainda assim, é o apontador que eu uso e tem me servido muito bem (aliás, ele já apareceu em outra resenha aqui).

Os pincéis já surpreendem um pouco mais, são excelentes!

Quando vi que vinham dois pinceis na caixa, imaginei que seriam bem fuleira, só para matarmos a vontade de aquarelar, mas que depois seria necessário comprar um pincel bom… que engano o meu! Eu diria que dá para ficar só com esses dois pinceis tranquilamente, pois além de serem muito bons, a escolha dos tamanhos também foi muito inteligente.

Na caixa não fala qual o material das cerdas desses pincéis, mas são tão macias e delicadas que não posso acreditar que sejam sintéticas. Se alguém souber o material dessa cerdas, por favor, deixe nos comentários, pois eu realmente gostaria de saber. Eu tenho pincéis sintéticos, de pelo de marta, de marta tropical (apesar da incoerência do nome) e de orelha de boi, mas acho que esses são os mais macios que tenho!

Agora vamos às estrelas:

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A mina desses lápis é muito macia, como é comum entre os lápis aquareláveis e pouquíssima coisa maior um lápis comum (estou usando como referência os lápis de cor da linha escolar da Faber-Castell, que todo mundo conhece). O corpo do lápis também é parecido com um lápis comum e é sextavado, mas com as quinas mais suaves do que os escolares da Faber. Para mim, isso de corpo triangular, redondo, sextavado… não faz a menor diferença. A única coisa que realmente me faz estranhar ou não um lápis é o diâmetro do corpo. Quando o corpo do lápis é muito grosso ou muito fino, então eu sinto alguma diferença na hora de pintar, mas isso não acontece com esses lápis. Nas duas fotos abaixo eu coloquei um lápis Mondeluz (lápis da esquerda) ao lado de um comum (lápis da direita) para vocês verem como são parecidos:

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Assim como a mina, a madeira também é muito macia (na propaganda diz que os lápis são feitos de Cedro, não sou especialista em madeira, mas essa é tão macia que eu acredito), então são muito fáceis de apontar. E como eles são muito bem pigmentados, você não precisa fazer força alguma para deixar bastante cor no papel. A pedreira aqui, acostumada com lápis de cor escolar (bem mais duro), demorou para pegar o jeito e o resultado é que meu lápis preto já está quase na metade (e não é porque usei tudo isso, é porque quebrei muitas vezes a ponta dele).

Apesar de os lápis serem muito macios, não achei que se desgastam tanto como li em algumas resenhas. Como eu disse, eles são muito pigmentados, então praticamente não é preciso fazer força e com quase nada de mina, você tem uma cor muito intensa, uniforme, brilhante e bonita. A dificuldade talvez venha do fato de que, por serem muito macios, mesmo afiando bem as pontas deles, elas não duram muito.

Importante observar também que, apesar dessa etiqueta:

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esses lápis têm qualidade intermediária. Provavelmente essa etiqueta foi colocada pela loja para diferenciar essa caixa de outras de menor qualidade, mas não chega a ser um material profissional.

Existem basicamente três tipos de lápis de cor, os lápis de linhas escolares/estudantes, os lápis intermediários e os lápis profissionais/artísticos. Os lápis de linhas de linhas escolares são muito básicos, a mina deles tem menos pigmentos, a madeira é menos nobre, então as cores são menos intensas e os lápis mais duros. É possível fazer bons trabalhos com eles, mas você sofre um pouco mais e seus desenhos provavelmente desbotarão com o tempo (ainda pretendo fazer uma postagem sobre a qualidade da resistência à luz dos lápis de cor, mas, em linhas gerais, os pigmentos dos lápis escolares são inferiores e não resistem bem à luz, por isso acabam desbotando). Os lápis de linhas intermediárias são o primeiro passo rumo aos lápis profissionais, por isso apresentam muitas das características comuns aos lápis profissionais, como uma mina mais macia e mais pigmentada. Há quem diga que muitas linhas intermediárias (as da Koh-I-Noor, por exemplo) não perdem em nada para as profissionais. Foi  com isso em mente que preferi me aventurar com uma caixa de lápis intermediários (um pouco mais baratos) antes de investir meu rim em uma caixa profissional. Os lápis profissionais são fabricados pensando não apenas nas cores, mas também na durabilidade dos trabalhos, por isso, além da maciez e boa pigmentação da mina e da nobreza da madeira, as cores são mais resistentes à luz.

Uma boa maneira de saber se os lápis que você está levando para casa são intermediários ou profissionais (além do preço) é pesquisar nos site da marca sobre a linha que você está adquirindo, pois a marca sabe o que está vendendo, mas loja em que você está comprando, nem sempre sabe. Marcas sérias costumam respeitar seus clientes e diferenciar muito bem seus produtos. Se não houver nenhum tipo de indicação ou preocupação com a menção à qualidade e nobreza dos materiais, bem como à resistência à luz, provavelmente esses lápis não possuem tais características e não podem ser considerados profissionais. Não há problema nenhum em comprar lápis escolares ou intermediários, você só precisa estar informado para poder levar exatamente o que procura. Uma dica um pouco mais prática para diferenciar os lápis é que os profissionais costumam vir melhor embalados (em embalagens de metal ou madeira), enquanto os demais costumam vir em embalagens de papelão; além disso, os lápis profissionais são vendidos também avulsos, justamente para que os artistas possam repor seus estoques sem precisar comprar o estojo todo.

***

Fiz um desenho para mostrar os Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz em ação. O desenho todo foi feito com esses lápis, até mesmo o esboço. Não é bom usar lápis grafite para fazer esboço quando se pretende aquarelar depois, pois ele vai manchar quando você passar água, ou então a parte colorida vai aquarelar e a parte em grafite vai ficar intacta – um lindo risco de grafite na sua aquarela. Em qualquer um dos casos, não é bom.

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Olha como esses lápis são pigmentados, como a cor é intensa! Não fiz força nenhuma e olha como as cores ficaram vibrantes:

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As cores também dissolvem e se misturam muito bem quando molhadas:

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Como acontece com qualquer aquarela, as corem ficam um pouco mais claras depois de secas:

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Depois de secas, as cores não aquarelam de novo, isso possibilita que você passe o lápis e aquarele por cima sem comprometer a camada de baixo. Eu acho isso uma vantagem.

Também é possível utilizar esses lápis como uma aquarela comum. Basta riscar um papel qualquer (eu risquei a fita crepe que prendia meu desenho) e utilizar seu rabisco como utilizaria uma pastilha de aquarela:

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Fiz o fundo todo do desenho com essa pastilha de aquarela improvisada. E esse foi o resultado final:

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Para esse teste eu utilizei papel Canson 224 g/m². Essa gramatura é baixa para aquarelar, o papel não suporta muitas aguadas, então, em alguns pontos ele ficou meio áspero, mas a culpa não foi dos lápis ou do papel, eu que fui teimosa. Fora isso, os lápis são realmente ótimos e recomendo a todos que queiram lápis aquareláveis macios, com cores fortes e que  dissolvem e se misturam bem.

Em breve postarei a segunda parte desse assunto, que é sobre usar lápis aquareláveis sem aquarelar (é possível e muita gente faz, mas eu não achei que é um negócio tão bom assim).

Espero que essa postagem tenha sido útil 😉

Aproveita que está com a mão no mouse e segue o  Twitter do vinho Tinta  😉

 

Até mais :*

 

 

Nani