Lista de desafios (desafio 10): nada em carvão

Hoje trago o resultado de mais um desafio da minha lista (você pode ler mais sobre esse projeto aqui). Conforme tinha anunciado lá no Twitter do Vinho Tinta, o desafio sorteado foi desenhar o nada em carvão.

Para variar, quebrei bastante a cabeça, mas minha primeira ideia foi fazer um olhar vazio. Mudei de ideia e decidi fazer alguém se olhando no espelho e depois eu pensaria em como fazer esse espelho, talvez sem reflexo. Voltei para a ideia original e decidi fazer um olhar vazado, sem olhos. O resultado foi o seguinte:

desafio 5  - nada - carvão.jpg

Os olhos vazados são uma coisa que acho muito interessante e pretendo explorar mais em meus desenhos, assim como rostos sem face. Acho isso extremamente assustador. Penso que deve ter a ver com essa ideia de que os olhos são a janela da alma, então alguém sem olhos ou não teria alma ou teria algo a esconder… seria uma pessoa misteriosa e de um mistério que não inspira boas coisas. Também quis dar um efeito “infinito” nesse desenho, como se a personagem estivessem caindo em algo sem fim, para o desenho ganhar um ar “transcendente”, por isso essas linhas no fundo.

Esse desenho eu fiz no meu caderno da Canson. Ele tem tamanho A5 e folhas de 90g/m² (ele ainda vai ganhar uma postagem na tag de materiais). Ao invés de usar aqueles bastõezinhos de carvão, utilizei apenas um lápis carvão da Koh-I-Noor Hardtmuth, pois eu queria um desenho rápido (que parecesse mesmo um rascunho) e com o contraste bem forte entre o preto e branco (sem muitas nuances de cinza). Meus bastões de carvão são bem pretos, mas o lápis é mais, daí a escolha.

Finalizei com um verniz fixador fosco da Acrilex. Tenho meus problemas com verniz (prometo que falo melhor sobre isso em uma postagem também), mas nesse caso não teve jeito. Como manter um desenho feito em carvão em um caderno que fica comigo para lá e para cá sem manchar? Os desenhos em grafite já mancham muito (contra cada fibra do meu ser, começo a considerar passar verniz neles também)… com desenhos em carvão não tem conversa: terminou o desenho, antes de respirar perto deles, é preciso envernizar.

Como referência para esse desafio, utilizei essa foto:

um olhar do paraíso.jpg

É a cena de um filme chamado Um olhar do paraíso. Na verdade, não assisti a esse filme (Quem já assistiu? Recomenda?), apenas vi essa imagem enquanto vagava pela internet e achei que serviria perfeitamente aos meus propósitos. Acabei aproveitando até a textura do chão para fazer aquele efeito de queda no infinito, que de início eu ia fazer com uma espiral, mas achei essas formas retas mais interessantes.

Por enquanto é só isso 😉

Assim que sortear mais um desafio, eu aviso la no Twitter do Vinho Tinta (aproveita pra seguir ;)).

 

Até mais,

 

 

Nani

 

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Lista de desafios: primeiros resultados

Olá!
Conforme prometido, hoje vou mostrar os desenhos que já fiz da minha lista de desafios que comecei no final do ano passado (falei sobre a lista aqui) e dizer também os materiais que utilizei em cada um.

O primeiro desafio que sorteei foi fazer o infinito em pop-art. Como esse desafio não exigia um material específico, utilizei lápis de cor da Faber-Castell (da linha escolar mesmo) e uma caneta indelével preta, porque era o que eu tinha à mão para contornar naquele momento. Resultado:

Desafio 1 (infinito em pop-art) -lápis de cor.jpg

Para o segundo desafio eu precisava fazer um moinho em cores. Como mais uma uma vez o material não era especificado, fui de Faber-Castell escolar de novo. Tentei acrescentar mais um desafio por conta própria e fazer um lago, mas o resultado da água não ficou como eu queria. Em todo caso, desafio cumprido e resultado aqui:

Desafio 2 (moinho em cores) - lápis de cor.jpg

No terceiro desafio eu devia me desenhar sem utilizar linhas. O material neste também não era especificado, e como eu estava só esperando a oportunidade para utilizar uns bastões de carvão vegetal da Keramik que eu havia comprado havia pouco tempo, aproveitei. Fiz esse desenho utilizando apenas carvão e esfuminho (que eu, aliás, não sei a marca). Precisei passar um verniz em spray (usei um fosco da Corfix) depois, porque carvão é uma coisa que não para no papel de outro jeito. O resultado foi esse:

Desafio 3 (eu desenhando sem linhas) - carvão.jpg

No quarto desafio eu precisava desenhar algo abstrato em estilo clássico. Esse “algo” não estava especificado, então escolhi a loucura, pois é com isso que trabalho atualmente minha pós-graduação e achei que seria interessante tentar desenhar. O material também não estava especificado, então usei os lápis Faber-Castell escolares de novo. De início eu queria fazer algo mais desesperador, mas depois decidi privilegiar a faceta mais poética, mais onírica na loucura. Pensei em personificar a loucura em uma mulher subindo em uma árvore para alcançar a lua e não posso negar uma influência de Ismália nessa ideia. Sinceramente esse é o desenho que mais gostei até agora de todos os desafios. Pretendo redesenhá-lo em algum momento e utilizar alguns outros materiais. Nada contra os lápis escolares da Faber, que sempre me acompanharam, mas se vocês notarem, as cores não são as mais vivas do mundo e a mistura entre elas também não é a mais perfeita. Também quero caprichar mais em alguns detalhes. Em todo caso, esse é meu queridinho:

Desafio 4 - algo abstrato (a loucura) em estilo clássico.jpg

O quinto desafio foi fazer uma cadeia de montanhas em nanquim. Usei o nanquim da Talens, que é simplesmente maravilhoso, mas fiz uma coisa muito errada. De início eu ia fazer apenas hachuras, mas no meio do caminho resolvi trabalhar também com aguadas de nanquim. O problema é que eu não estava utilizando um papel com gramatura condizente (usei um Canson 90g/m²). O papel enrugou todo e as manchas ficaram feias, porque o papel não absorvia como deveria… somando a isso minha imperícia com aguadas de nanquim (foi a minha primeira vez), o resultado não tinha como ser bom:

Desafio 5 (cadeia de montanhas com nanquim).jpg

O último desenho que finalizei dos desafios foi um retrato cubista do filósofo francês Jean-Paul Sartre. Lembro que quando meu namorado estava fazendo a lista eu comentei que seria muito engraçado se eu sorteasse o Sartre no estilo cubista (destino, esse piadista). Todos os outros desenhos foram feitos em tamanho A4, mas esse eu fiz em A3, porque eu tinha comprado um bloco da Canson de 180g/m² e estava doida para usar também. Aproveitei que a gramatura era boa e utilizei aquarela (em pastilha da Koh-I-Noor).  Como meu scanner é A4, tive que tirar foto desse desenho com meu celular, então peço desculpas pela menor qualidade.

Desafio Sartre cubista - aquarela.jpg

Por enquanto foram esses os desenhos que fiz. Alguns eu gostei bastante, outros nem tanto, mas eu já sabia que isso aconteceria. O mais importante é desenhar todos os dias, mesmo que não tenha nenhuma boa ideia, para não correr o risco de ficar enferrujado e estar preparado para quando as boas ideias aparecerem.

Como essa postagem já está bem grande, vou encerrar por aqui, prometendo postar os resultados dos próximos desafios e reforçando o convite para que todos façam o mesmo 😉

 

Um abraço e até breve!

 

Nani