Lista de desafios (desafio 9): mulher nua em sanguínea

 

Olá!

Mais um desafio terminado! Dessa vez eu precisava desenhar uma mulher nua em sanguínea. Para quem está chegando agora, expliquei como funcionam esses desafios aqui.

Fazia uns dias que eu estava com O nascimento de Vênus, de Botticelli, colado na minha prancheta, esperando uma oportunidade. Quando saiu esse desafio, de início pensei em desenhar apenas a Vênus, depois resolvi fazer o quadro todo, depois resolvi fazer o quadro todo, mas com a Vênus em outra posição… depois mudei completamente de ideia e decidi desenhar uma cena cotidiana.

Simples? Nem um pouco.

Eu queria usar como referência uma foto de alguma mulher que não estivesse agindo estranho porque estava pelada. Pensei em algo mais natural, como aquela foto da Simone de Beauvoir se vestindo no banheiro. Na verdade, pensei em desenhar exatamente essa foto, mas também desisti, pois queria uma anônima qualquer posando e uma foto menos conhecida. Nesse ponto eu já tinha bem claro na minha mente o que eu queria, só não estava conseguindo encontrar a foto certa para me servir como referência.

O problema é que eu queria uma foto espontânea, de uma mulher normal, que não fosse modelo e que não estivesse fazendo nenhuma pose forçada. Aqueles ensaios sensuais estavam fora de cogitação, eu não queria ninguém fazendo “carão”. Eu queria alguém com cara de cansada, de triste, de feliz, de medo… alguma expressão autêntica. Aqueles ensaios mais conceituais, apesar de serem lindos, também não me serviam.

Procurei por muitos dias até que finalmente encontrei o The Nu Project! Finalmente alguém estava falando a minha língua! Nesse projeto, pessoas comuns são fotografadas em seus próprios ambientes, fazendo coisas normais: dando risada, cozinhando, conversando, mexendo no computador… Não tem ninguém agindo estranho porque está nu, não tem nenhum corpo muito diferente dos nossos, a beleza vem da naturalidade e graça vem da identificação com as pessoas fotografadas. Veja o site e vai entender do que estou falando.

A partir daí, o problema foi escolher a foto, pois, dessa vez, muitas serviam ao meu propósito. Acabei escolhendo a foto de uma mulher tomando vinho e sorrindo, em homenagem ao Vinho Tinta (=D). Esse foi o resultado:

mulher nua com taça de vinho - sanguínea.jpg

Sanguínea é uma espécie de giz marrom-avermelhado que dá esse tom lindo e esse jeito de rascunho profissional. Nesse caso, usei o lápis pastel seco Gioconda, da Koh-I-Noor Hardtmuth, cor Red Chalk. Esse desenho fiz no meu caderno de rascunhos mesmo, ele é da Canson, com folhas de 90g/m² em tamanho A5. Uma parte do desenho está com a cor menos vibrante, menos avermelhada. No desenho original não está assim, a cor está bem uniforme. Mas acho que sei o que houve: meu esfuminho estava sujo de grafite e não limpei direito antes de esfumar o pastel, o que manchou o desenho. Consegui limpar o desenho original e a mancha ficou imperceptível, mas, quando digitalizei, o fundo do grafite deve ter aparecido. Como o caderno é espiral, algumas partes do desenho também não tocaram o vidro do scanner… acho que isso contribuiu para que uma parte ficasse fora de foco… e como minha habilidade com o Photoshop não me permitem correções desse tipo… acho que da próxima vez devo fotografar ao invés de scanear desenhos desse caderno.

Tenho algumas dúvidas quanto a umas partes do desenho, mas de maneira geral, gostei de fazê-lo e gostei do resultado final. Penso que transmite a naturalidade que eu estava buscando, o resto são detalhes.

Agora é só sortear o próximo desafio! Assim que eu fizer o sorteio, aviso lá no Twitter do Vinho Tinta. Aproveita pra seguir 😉

 

Até mais,

 

 

Nani

 

 

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Participando do Projeto Ilustra

Olá!

Se você é uma pessoas que vasculha a internet atrás de inspirações para futuros trabalhos já deve ter topado com o Projeto Ilustra.

Um belo dia, estava eu fazendo minha peregrinação pela blogosfera para ver o que estava acontecendo e percebi que o pessoal estava desenhando sobre o mesmo tema. Era o Projeto Ilustra, projeto idealizado pela  Ana Blue, que havia convidado várias ilustradoras para fazer desenhos mensais sobre determinado tema. Na época lembro de ter visto comentários das leitoras perguntando como fazia para participar. Fiquei com vontade também, mas já estava conformada com ficar atrasada, sabendo do tema apenas depois de todo mundo ter feito e fazendo depois. Entretanto, as meninas (não lembro de ter visto nenhum menino participando) abriram o projeto para a galera. Fiquei sabendo primeiro pela Lidy Dutra, mas logo vi postagens nos outros blogs, inclusive da Ana Blue, convidando as leitoras e explicando as regras. Tava aí minha chance, né?

Vou começar a partir de abril, então ainda não tenho desenhos para mostrar referentes a esse projeto. Mas, só para a postagem não ficar sem graça, dei uma fuçada nas minhas pastas e encontrei desenhos que se encaixam em todos os temas anteriores. Todos eles são em tamanho A4.

Tema de janeiro: Hora do chá/café

Estudo em aquela IV - aquarela

Esse foi um dos primeiros desenhos com aquarela que fiz e fiquei tão orgulhosa dele que é um dos meus preferidos até hoje, mesmo vendo um monte de problemas. Fiz esse com papel Canson 300g/m², aquarela em pastilha da Koh-I-Noor, pinceis redondos Tigre (de pelo de orelha de boi, marta tropical e marta) e contornei os olhos com nanquim Talens.

Tema de fevereiro: Metas artísticas

O corvo (Lápis 6b e 8b).jpg

Para representar esse tema, escolhi o desenho acima. Encontrei o desenho original na internet, imprimi e tentei refazer, como exercício (aliás, não me lembro do site que consultei na época, então…se alguém souber quem é o desenhista original, avise para eu poder citar certinho :D). Era um desenho muito difícil, baseado em um poema que gosto muito: The Raven, de Edgar Allan Poe (você pode ler o original aqui, ou a lindíssima tradução para o português, do Fernando Pessoa, aqui). Com esse desenho pretendo demonstrar meu compromisso com sair da zona de conforto, uma das metas que tenho buscado nesse ano. Apesar de o grafite ser um material com o qual me sinto à vontade, esse desenho foi muito difícil, pois tinha muito movimento, tecido, uma figura masculina de corpo inteiro, objetos em perspectiva… todas coisas que me desafiam muito. Além disso, demorei muitos dias para fazer esse desenho e terminá-lo foi uma vitória, pois, normalmente, quando vejo que as coisas não estão dando certo ou demorando muito, fico aborrecida e abandono o desenho pela metade. Com esse desenho começou meu compromisso de terminar as coisas que começo antes de partir para outras e superar minhas dificuldades, pois não é abandonando os desenhos que me dão trabalho que vou aperfeiçoar minhas técnicas. Esse desenho foi feito com papel Canson 90g/m²,  lápis 6b e 8b da Koh-I-Noor e esfuminhos número 6 e 1 (que não sei a marca).

Tema de março: Cena de série

bailarina (detalhe) - grafite 6B e lápis de cor.jpg

Esse é meio antigo… olha a data! Olha também a diferença na assinatura. Antes ela era grande e com data, hoje procuro ser mais discreta e coloco a data apenas no verso do desenho.

Eu nunca desenhei uma cena de série, então precisei apelar para uma cena de filme. Essa cena é de um filme de 1948: Sapatinhos vermelhos (Você pode ler a sinopse e ver o trailer aqui). O filme foi baseado em um conto de Hans Christian Andersen. No conto original uma garota órfã engana a senhora que a havia adotado para ir com sapatos vermelhos à igreja, sendo que deveriam ser pretos (em sinal de humildade), e é punida por sua vaidade com uma maldição. Os sapatos ganham “vida” e a garota deveria dançar até que sua carne despregasse dos ossos. No seu desespero, arrependida e desejando a morte, ela pediu para o carrasco da cidade cortar seus pés (pois, se cortasse sua cabeça, não poderia expiar seu pecado). A garota continua a ser assombrada pelos pés cortados, que continuam dançando com seus sapatinhos vermelhos. A história termina com um cena transcendente que culmina com o coração da jovem arrebentando e sua alma subindo ao céu (você pode ler essa e outras histórias do autor aqui).

Pois é, muitos dos contos infantis que conhecemos são muito mais sombrios, violentos e polêmicos do que a versão que nos contaram quando pequenos. O filme Sapatinhos vermelhos não é exatamente sobre a história da garotinha do conto original, mas sobre uma bailarina que é chamada para estrelar o espetáculo Sapatinhos vermelhos, esse sim, baseado na obra de Andersen. A história da garotinha acaba se tornando uma metáfora da vida da bailarina. O filme é muito bonito, com certeza recomendo. Todo construído dentro universo do balé clássico e contando com uma das melhores bailarinas da época no elenco… não tem como não se apaixonar.

O que me motivou a desenhar uma cena do filme foi a dualidade entre a beleza e a morte, entre a leveza e o sofrimento, entre a suavidade e o desespero… é tudo tão lindo e tão horroroso. Achei que essa cena em especial (quando a bailarina tenta se sentar, exausta, mas seus pés continuam em posição de dança e a fazem se levantar imediatamente) é muito emblemática. Fiquei bastante orgulhosa desse desenho quando fiz também. A perspectiva do chão ficou ruim, mas a transparência da saia ficou ótima e a mão segurando o vestido com força, num sinal de desespero, contrastando com a delicadeza do movimento dos pés contribuem para transmitir aquelas dualidades que me motivaram a fazer o desenho.

Essa bailarina faz parte de uma série de desenhos que fiz quando voltei a desenhar (falarei ainda sobre isso), então foi uma época que eu já nem tinha mais muitos materiais em casa. Fiz em papel Chamex 75g/m² (sim, aqueles de imprimir que amassam quando você apaga), lápis de cor escolar da Faber-Castell, lápis 6b sabe-se lá de qual marca e uma borracha vagabunda qualquer. Essa é a prova de que não é preciso muito para fazer um desenho do qual se orgulhe, então não existe desculpa para não desenhar.

 

Agora é só aguardar para saber o tema do Projeto Ilustra do mês de abril e começar os desafios!

 

Bora participar também?

 

Até mais,

 

Nani

Lista de desafios: desafios 7 e 8

Olá!

Conforme o prometido, hoje trago finalizado o desafio cuja prévia aparece aqui.

Na verdade, temos um bônus hoje! Eu iria postar apenas o último desafio que terminei, mas naquela lista de resultados (essa aqui) esqueci de mostrar um deles.

Então, na sequência, temos o sétimo desafio: uma paisagem marítima com pastel seco. Na época em que fiz essa eu estava meio sem ideias e sempre que me encontro assim procuro me refugiar nos clássicos. Por isso decidi tentar reproduzir um das pinturas que mais gosto,  Impressão, nascer do sol, de Monet. Apenas abri a imagem no meu computador e comecei a desenhar. Não me preocupei em desenhar primeiro e ir refinando depois. Eu quis fazer algo mais livre nesse dia. Para cumprir esse desafio, além do papel Canson 90g/m², utilizei os lápis pasteis da Koh-I-Noor HardtmuthGioconda” e esfuminho. Por alguma razão o scanner deixou o desenho com umas manchas feias. Ele está mais suave do que isso:

Desafio 1 - paisagem marítima em pastel (Lápis pastel La Gioconda).jpg

O oitavo desafio sorteado foi fazer uma danse macabre em estilo Barroco. Demorei bastante para conseguir fazer, mas consegui resolver esse quebra-cabeça preservando a essência da ideia da danse macabre (de que a morte iguala a todos) e me inspirei em uma pintura barroca de Jean-Baptiste Siméon Chardin para desenhar a cena doméstica de uma enfermeira preparando ovo cozido e pão para algum convalescente. Gostei da ideia de fazer essa enfermeira como uma caveira e mostrar que não apenas o doente, mas a enfermeira também, cedo ou tarde, iria morrer; isso coloca os dois no mesmo patamar e torna a enfermeira tão digna de pena quanto o doente. Dessa maneira, acredito que a ideia da danse macabre foi preservada, apesar de não haver aquela típica dança com caveiras de diferentes estratos sociais (o que não caberia em um estilo Barroco). Para esse desafio utilizei os lápis de cor escolares da Faber-Castell e o mesmo papel do desafio anterior. Esse foi o resultado:

Desafio 3 - danse macabre barroca (Lápis de cor Faber-Castell escolar).jpg

Ainda hoje vou sortear o próximo desafio e postar no Twitter do Vinho Tinta. Passa lá para ver e aproveita para seguir também, pois, além das prévias dos resultados parecerem por lá, a gente pode trocar ideias e sugestões para os próximos desafios 😉

 

Até mais,

 

 

Nani