Inktober 2016 (terceira semana)

Olá!

Hoje volto para mostrar os resultados da terceira semana do Inktober (quer ver a primeira e a segunda? Clica aqui e aqui).

Participar do Inktober está me gerando uma série de emoções, ele já está se encaminhando para o final e ainda não sei se vou me sentir aliviada ou com saudades. Fazer um desenho por dia tem suas vantagens, pois estamos sempre treinando e nos forçando a produzir mesmo nos dias que estamos “travados”; o lado ruim é que não tenho conseguido fazer desenhos muito elaborados… a maioria dos desenhos que tenho feito são, na verdade, rascunhos.

Em todo caso, vou fazer um balanço melhor na próxima postagem, que será a última sobre esse Inktober. Por ora, esses são os resultados da terceira semana:

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Esse é uma releitura de Trigal com corvos, de Vincent Van Gogh. Usei caneta Posca dourada no trigal, mas não ficou tão legal quanto eu achei que ficaria. A caneta azul também começou a falhar no céu… e, no geral, não gostei do resultado. Some-se a isso o fato de eu ser apaixonada por esse quadro e, apesar de saber que é só um rascunho no meu caderninho, fiquei bem desapontada com esse desenho.

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Desse, pelo contrário, gostei bastante. A ideia inicial era fazer o fundo todo azul, mas a caneta azul, que já estava falhando no desenho anterior, não ia melhorar nesse rs.

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A ideia original para esse desenho era pintar todos semicírculos, como os primeiros, mas se eu fizesse isso, perderia o prazo do dia… então, mais um desenho que teve de se adaptar à necessidade XD

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Todos os desenhos dessa semana foram feitos no meu caderno de rascunhos (de folhas de papel Canson 90g/m² em tamanho A6) com canetas Stabilo point 88, Stabilo Pen 68, Staedtler Triplus Fineliner, Staedtler Pigment Line 0.8, Faber-Castell Grip Finepen 0,4 e Uni Posca com ponta pincel.

 

Logo mais trarei os desenhos da última semana e o encerramento do Inktober. Se quiser acompanhar o desafio em tempo real, eu posto os resultados todos os dias no Twitter do Vinho Tinta (segue lá ;D).

 

Um abraço e até mais,

 

 

Nani

 

 

 

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Inktober 2016 (segunda semana)

Olá!

Hoje venho trazer mais resultados do Inktober 2016 (se você perdeu a primeira postagem, clica aqui). Estou feliz por estar conseguindo cumprir a meta de fazer um desenho por dia, embora nem sempre eu consiga fazer um desenho mais bem acabado, pois a frequência das postagens e o ritmo de alguns dias não permitem.  Mesmo assim, sigo firme no desafio 🙂

Estou morrendo de saudade de pintar com lápis de cor, mas, como os desenhos precisam ser com tinta, eu acabo deixando o lápis de cor para a próxima oportunidade… Talvez em novembro eu faça uma série de desenhos com lápis de cor, só para matar a vontade! Mas, por enquanto, voltemos ao Inktober.

É tão legal ver esses desafios coletivos dando certo, pois você vê várias pessoas se empenhando em um projeto e cada um dos seus “rolês” pela web rende um monte de ideias e inspirações. É como se todo mundo estivesse trabalhando junto, contribuindo como pode para criar algo interessante, e estou orgulhosa por estar conseguindo contribuir com a minha cota 🙂

Estes são os meus desenhos da segunda semana do Inktober:

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(Esse foi o primeiro desenho que fiz nas duas páginas do meu caderninho, um rascunho inspirado no poema Ismália, de Alphonsus de Guimaraens)

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(Quem segue o Twitter do Vinho Tinta sabe que esse desenho foi feito dentro do ônibus em movimento. A experiência é interessante, quem nunca tentou devia tentar um dia ;D)

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(Esse é uma releitura de uma pintura que gosto muito: O sono da razão produz monstros, de Francisco Goya)

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(Por alguma razão, esse foi o desenho que recebeu mais curtidas no Twitter do Vinho Tinta até agora. Vai ver as pessoas gostam de polvinhos multicoloridos rs.)

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Os desenhos dessa segunda semana foram feitos no meu caderno de rascunhos (de folhas de papel Canson 90g/m² em tamanho A6) com canetas Stabilo point 88, Stabilo Pen 68, Staedtler Triplus Fineliner, Staedtler Pigment Line 0.8 e Faber-Castell Grip Finepen 0,4. O único desenho que não foi feito com canetas e nem no meu caderninho é a releitura da pintura do Goya, que foi feita em uma folha avulsa de papel Canson Montval, 300g/m², em tamanho A5, com nanquim Talens.

Por enquanto é isso! Em breve trago os desenhos da terceira semana.

Para quem quiser acompanhar meu Inktober em tempo real, é só seguir o Vinho Tinta no Twitter! E não se esqueça de comentar 😉

 

 

Um abraço e até mais,

 

 

Nani

 

Inktober 2016 (primeira semana)

Olá!

Se você costuma acompanhar redes sociais de ilustradores já deve ter notado que estamos em época de Inktober! Caso você esteja perdido, clica aqui para ver a explicação rápida e certeira da Kris. Além de explicar do que se trata, ela ainda traduziu para o português a lista oficial dos desafios (é tão bom saber que existe gente no Brasil que ainda se lembra de que aqui se fala português).

Apesar de o desafio ser originalmente dedicado ao nanquim, pelo que tenho observado, há uma abertura para outras tintas, o que é muito bom, pois me permite continuar treinando aquarela sem fugir do tema.

Decidi fazer os desenhos despretensiosamente, sem seguir a lista original, desenhando o que “dá na telha” naquele dia. É a primeira vez que participo do Inktober e estou me esforçando para fazer um desenho por dia, independente de como esse dia seja. Em alguns dias dá para caprichar um pouquinho mais, mas, nos dias mais corridos, mal dá para fazer uma rascunho rápido…  Acho que isso faz parte do desafio, né? 🙂

No final de cada semana vou fazer um resumão dos desenhos para você aqui no blog, mas se não tiver paciência para esperar, pode seguir o Vinho Tinta no Twitter, onde posto os resultados dia a dia 😉

E aqui estão os desenhos dessa primeira semana:Café - caneta nanquim staedtler.jpg

mulher com flores - color plus preto, guache Talens e posca.jpg

(Imagem de referência tirada dessa postagem: Moda da savana)

Forca - caneta nanquim staedtler.jpg

índia - nanquim staedtler, triplus fine line staedtler.jpg

Taj Mahal - Nanquim Talens, color plus amarelo.jpg

(Imagem de referência)

mulher dançando - caneta nanquim staedtler e bic..jpg

boca com maçã - caneta stabilo.jpg

mulher alvo caneta bic.jpg

A maior parte dos desenhos estão sendo feitos no meu caderno de rascunhos, que tem tamanho A6, mas alguns estão sendo feitos em folhas avulsas de papel Canson colorido 180g/m², que eu cortei em tamanho A5.

 

Por enquanto é isso o que tenho, mas na semana que vem eu voltarei com mais desenhos 😉

 

Bom Inktober para todos nós!

 

 

Até mais,

 

 

Nani

Autorretrato: Projeto Setembro

Olá!

Hoje é dia 27 de setembro: dia do meu aniversário!

Mas, ao contrário do que se espera para esse dia, não venho aqui fazer um balanço da minha vida. Talvez faça um em breve, mas, por enquanto, quero apenas apresentar um novo projeto. Quem segue o Vinho Tinta no Twitter (segue lá ;D) já desconfia do que se trata: é o Projeto Setembro.

Decidi que vou fazer um autorretrato por ano, todos em setembro, e postar aqui no blog. Na verdade é só isso. É bem simples, mas é um projeto de vida. Espero ter uns 50 retratos daqui a 50 anos… e aí penso no que fazer com eles. Por enquanto, penso apenas em me forçar a fazer esse exercício. Fazer autorretratos é muito desafiador para mim, relutei por muitos anos. Apenas nesse ano fiz o meu primeiro. Encarar a própria imagem não tão simples quanto parece e tenho fugido disso há muitos anos.

Esse projeto prescreve apenas que eu faça um autorretrato a cada setembro, mas me deixa livre quanto ao dia do mês para começar e quanto ao material a ser utilizado. Para esse ano, resolvi escolher um tamanho de papel que me deixa confortável (A4) e fazer o desenho “ao vivo” com aquarela. Simplesmente peguei um espelho, segurei com uma mão e com a outra fui direto nas tintas, à mão livre. Eu não estava usando maquiagem, não estava em um daqueles dias em que a gente se acha bonita (não estava  mesmo)… não estava nem com o cabelo penteado. Eu quis que fosse assim: o mais orgânico possível.

Não sei como serão os próximos autorretratos, pois, como eu disse, esse projeto só exige um até o fim do mês. Em todo caso, esse é o desse ano:

projeto setembro 2016 - aquarela.jpg

Para esse desenho, usei papel Canson Montval 300g/m², aquarelas Koh-I-Noor e uns pinguinhos de guache branca Talens, no brilho dos olhos.

Gostei do resultado final. Parece que eu e aquarela estamos voltando a nos conversar. Mas, o mais importante é que esse desenho me forçou a ficar olhando para mim mesma por umas três horas. Três horas olhando para detalhes do próprio rosto, com a mente focada unicamente nisso… é um senhor exercício, e não só de desenho, isso eu garanto.

 

E aí? Mais alguém quer entrar nessa empreitada comigo? Autorretrato é algo problemático para mais alguém? Conta pra gente nos comentários 😉

 

 

Até mais,

 

 

 

Nani

Sketchbook 1: Posso ver seu caderno?

Olá!

Conforme o pessoal que segue o Twitter do Vinho Tinta já sabia (se você ainda não segue, aproveita a deixa ;D), junto com julho, acabou também meu primeiro caderno de rascunhos!

Na verdade, esse não é primeiro sketchbook que eu tive, mas é primeiro decente. É o primeiro que me preocupei em procurar um tamanho que me agradasse (A5) , com capa dura, com uma folha boa (Canson 90g/m²)… e que me empenhei em utilizá-lo sempre. Farei uma postagem com um apanhado de outros caderninhos que vieram antes desse para você notar como esse é mais “cuidadinho”.

Alguns dos desenhos desse caderno você já conhece, pois andei postando por aqui ou lá no Twitter, mas aqui vai ele na íntegra:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Nem todos os desenhos estão finalizados e nem todos são desenhos maravilhosos. Alguns são apenas testes e outros eu cheguei a fazer dentro do ônibus… porque caderno de rascunhos é isso mesmo. Se você ficar com medo de desenhar porque acha que não sabe fazer aquilo, ou que não vai ficar bom, é só se lembrar que aquele caderno é de RASCUNHOS e não de obras-primas que ficarão expostas no Louvre para-todo-sempre-amém.

Uma coisa que talvez trave um pouco as pessoas (pelo menos travava essa pessoa que vos escreve) é que quando os outros (Ah! O inferno são mesmo os outros!) começam a ver você andar com um caderno e a rabiscar aqui e ali… eles inevitavelmente pedem para ver. Não sei se acontece com todo mundo, mas eu me sentia na obrigação de fazer só desenhos lindos no meu caderno, pois as pessoas iam pedir para vê-lo, e eu não podia mostrar um monte de coisas tortas, mal coloridas… ou pior, que demonstrassem falta de criatividade! Afinal, na cabeça das pessoas, todo mundo que desenha é um artista, e artistas são poços inesgotáveis de criatividade!

Essa ideia de que precisamos criar uma obra de arte histórica por dia não faz bem. Fiquei anos sem desenhar por causa disso. Eu achava que se não fosse para ser um Van Gogh, então não valia a pena começar o desenho. Eu tinha vergonha das minhas pinturas, vergonha dos meus desenhos… porque eu não achava que eram bons.

Esse bloqueio de anos foi superado com a ajuda do meu namorado, que me falou uma verdade tão verdadeira que nunca mais esqueci e sempre me lembro quando essas ideias bestas começam a me vir à mente: “Você pode até não ser o Van Gogh, mas se não desenhar… nunca vai ser mesmo“.

É claro! Se queremos ser bons em algo, precisamos fazer, refazer, fazer de novo… até ficar bom o bastante! Estudar, treinar… colocar-se desafios… fazer coisas difíceis e que não sabemos ainda… senão  não aprenderemos!

Depois que me convenci disso, comecei a lidar melhor com o “posso ver seu caderno?”, mas também não foi da noite para o dia. Por um tempo eu ainda me sentia travada quando pegava o caderno, imaginando o que as pessoas iam pensar se vissem aquele desenho tão sem graça que eu tinha pensado em fazer. Cheguei até a tirar algumas folhas desse caderno das fotos aí em cima, simplesmente porque ficaram tortos, ou porque eu não achava que eram dignos de serem mostrados.

Mas acabei me dando conta de que eu estava voltando à mesma paranoia que havia me bloqueado por seis anos… e decidi que dessa vez ia ser diferente. Comecei a pensar: o caderno é meu e é de rascunhos, então eu vou fazer rascunhos nele! Eu posso tentar desenhos de observação que não vão dar certo, posso fazer desenhos de memória que vão ficar bem ruins, posso desenhar vinte vezes a mesma coisa, posso fazer tudo torto, posso pintar de cores que não combinam… posso jogar ele não chão e dançar lambada em cima, porque ele é meu! Os desenhos aqui não serão comercializados, então não tenho compromisso com nenhum cliente, apenas comigo mesma.

“Mas está uma porcaria este aqui, vou arrancar essa folha e fazer outro”. Caí nesse pensamento algumas vezes, mas hoje eu digo com toda a segurança: não tire as folhas do seu caderno de rascunhos. Realmente, quando parei de tirar as folhas do meu, vi como é interessante acompanhar a nossa evolução. Se você notar, nesse caderno das fotos acima, tem desenho sem finalizar, desenho torto, desenho que deu errado… mas eu garanto que é muito interessante olhar para esse caderno agora, terminado, e lembrar desses desenhos ruins. Se você arrancar as folhas, vai se esquecer dos desenhos ruins, mas se deixá-los lá, vai sempre topar com eles quando estiver folhando seu caderno, vai se lembrar dos erros que cometeu e não vai cometer de novo.

E ainda existe o outro lado. Normalmente quem trabalha com desenho tende a se comparar com outros que admira e ficar se achando um lixo humano, mas existem também aqueles que acham que são mitos na sua arte e ninguém é bom como eles. Para esses últimos, é bom ter alguns desenhos feios por perto, para lembrá-los de que eles também erram.

“Mas as pessoas vão ver esse desenho!”.

Só se você deixar. O caderno é seu, é uma ferramenta de estudo, não um portfólio. Se você não se sente confortável para mostrar seus desenhos para alguém: não mostre. Diga educadamente que se sente constrangido, pois são apenas rascunhos, ou pense em outra coisa para dizer, mas não mostre se não quiser mostrar. Algumas pessoas vão entender, outras vão insistir… mas você precisa se lembrar de que não está cometendo um crime. Você não é obrigado a fazer o que te deixa desconfortável.

Outra saída, um pouco menos radical socialmente, é você simplesmente dizer: sim. É a que adotei, mas exige um trabalho de desapego com o próprio ego, ou você vai acabar se travando na hora de desenhar. Esclareça que é um caderno de rascunhos, esteja seguro de suas qualidades, ciente de suas limitações e deixe que a pessoa tire as conclusões que quiser. Se ela ficar desapontada com seu caderno, é um problema dela, que criou expectativas baseadas em sabe-se lá o que. Você não é culpado se a pessoa esperava por uma Monalisa em cada página e você só pôde oferecer uns poucos esboços tortos.

Seu caderno de desenhos é algo muito pessoal, e é uma decisão sua compartilhá-lo ou não com os outros. Ninguém é obrigado é mostrá-lo, mas se decidir mostrar, lembre-se de que você é avaliado (numa situação de trabalho, por exemplo) por seu portfólio, não por seus rascunhos.  Não tenha medo de rabiscar e nem vergonha dos seus rabiscos, eles são parte de um processo de aprendizagem e de construção de repertório. Talvez as pessoas não entendam isso, mas o que importa é que você entenda, para poder manter uma boa relação com seu amigo de sempre, o sketchbook.

 

Você usa sketchbook? Como é sua relação com ele? Conta pra gente nos comentários!

Um abraço e até mais,

 

Nani

 

 

Projeto Ilustra (julho)

Chegamos a mais um final de mês, e como você sabe… é dia de mostrar o resultado do Projeto Ilustra! O tema desse mês era: receita ilustrada. Aproveitei o tema para tirar do papel uma ideia que eu estava para fazer há algum tempo.

Faz um bom tempo que eu vi uns quadrinhos com receitas de drinks para decorar a cozinha e achei uma ideia muito charmosa. Desde então decidi fazer algumas pinturas dessas para mim mesma, para usar como decoração.

Decidi que a primeira receita seria de caipirinha, porque é uma das poucas coisas que sei fazer e é uma bebida bonita, achei que daria um desenho bacana. Fiz o desenho em aquarela, pois ando querendo treinar o máximo possível dessa técnica. O resultado não me agradou muito… mas pelo menos a receita funciona 😉

receita de caipirinha - aquarela.jpg

Para esse desenho, usei papel Canson 224g/m² em tamanho A5, aquarelas em pastilhas Koh-I-Noor, caneta nanquim Staedtler (ponta 0,8) e caneta Posca dourada com ponta pincel.

Aquarela tem sido minha pedra no sapato. Tenho muito mais facilidade com técnicas secas. Eu nem dava muita importância para a aquarela há tempos atrás, pois eu achava um negócio aguado sem graça, sem força, sem vida. Mas depois percebi que, na verdade, eu que nunca tinha usado boas aquarelas. Com o material certo, percebi que a aquarela não é nada sem graça.

Agora estou obcecada por aquarela. Sim, porque agora que superei minha indiferença, preciso superar minha dificuldade. A vida toda trabalhei com grafite e lápis de cor, quando muito com tinta de tecido… e um pouco de tinta óleo; mas, via de regra, construí minhas bases sobre o material seco… e é com ele que me sinto confortável.

Mesmo materiais novos (como quando comecei a usar carvão e pastel) não me intimidam, desde que sejam secos. Mas com aquarela a conversa é bem outra. Quando comprei meu primeiro (e único, por enquanto) estojo de aquarela, eu não sabia nem por onde começar. Não sabia quais pinceis usar… como fazer as manchas… fiquei um bom tempo só estudando “teoricamente”, sem ousar pegar no estojo. Hoje já criei a coragem necessária para fazer meus testes e confesso que estava bastante empolgada com alguns desenhos que estava conseguindo fazer… as manchas estavam ficando bonitas… parecia que eu estava começando a pegar o jeito… mas minhas últimas pinturas não têm me agradado (isso inclui o Projeto Ilustra desse mês). Tenho percebido isso nas minhas últimas pinturas… e isso está me deixando frustrada. As manchas, em especial, têm me incomodado muito. Perceba que no fundo do desenho da caipirinha tem uns riscos de cor depositada. Isso aconteceu porque o papel enrugou muito enquanto eu pintava e formou uns bolsões de água colorida. Eu tentei dar um jeito… mas não funcionou. Isso tem acontecido em vários desenhos e estou começando a ficar chateada.  Acho que esse problema vou conseguir resolver comprando outro papel. O desenho abaixo, por exemplo, foi feito no ano passado (foi um dos primeiros que fiz), na época em que eu ainda tinha um medo infinito de pegar no estojo de aquarela. Apesar disso, ficou com as manchas muito mais bonitas. Thiago no cemitério - aquarela.jpg

A diferença entre esse desenho e o da caipirinha é que nesse eu usei papel Canson 300g/m², próprio para aquarela (da linha universitária mesmo), então ele não formou poças de tinta. Ando querendo testar aquele Montval, da Canson. Já li várias resenhas em que o pessoal fala muito bem dele.

Também pretendo comprar mais algumas cores de aquarela, pois acho que o estojo de 12 cores que tenho hoje pode até funcionar para quem já tem um tempo de estrada e entende mais os caprichos dessa técnica. Eu, que sou novinha nesse mundo ainda, sinto falta de alguns verdes e vermelhos mais naturais… mais alguns azuis e amarelos… uns marrons mais quentes e algo que se pareça com um rosa/salmão.

Penso que fora isso (além de continuar estudando e treinando, é claro) não posso fazer mais nada. Penso também que deve ser natural minha dificuldade com a aquarela, pois comecei a trilhar seus caminhos só no final do ano passado… enquanto grafite e lápis de cor me acompanham desde quando era criança. Acho que preciso parar de comparar as duas coisas… pois, a não ser que eu abandone completamente as técnicas secas (o que está fora de cogitação)… eu sempre terei mais tempo de grafite do que de aquarela.

Peço desculpas a quem veio aqui para ver uma receita de caipirinha e acabou recebendo uma boa dose de lamentações sobre o processo de aprendizado de uma nova técnica. Fato é que não fiquei contente com o resultado do Projeto Ilustra desse mês… mas a gente nem sempre acerta, né? E mês que vem tem mais um tema 😉

 

 

Um abraço e até mais,

 

 

Nani

 

 

 

 

Meus materiais 3: Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz (parte II)

Olá!

Faz um tempinho que falei sobre os lápis de cor aquareláveis Mondeluz, da Koh-I-Noor (você pode ler sobre isso aqui); na ocasião, eu comentei que tinha gostado bastante desses lápis, mas o efeito dele seco me incomodava e que faria uma postagem para explicar isso melhor. Então é sobre esse uso particular dos lápis aquareláveis que quero tratar hoje.

A motivação para escrever sobre esse assunto veio do fato de eu ler muitas resenhas falando sobre o quanto esses lápis eram melhores que os lápis de minas permanentes, o que me levou a escolher os primeiros e a uma enorme frustração (que já foi superada) com esse material.

Já comentei aqui no blog que é um hábito meu pesquisar bastante antes de comprar materiais artísticos, pois não encontro esses materiais na minha cidade e preciso apelar para as lojas on-line, o que gera alguns problemas, uma vez que não posso pegar o material na mão para ver, não posso riscar para testar e as cores no monitor do computador não são exatamente as mesmas do produto… é sempre uma compra às cegas. Soma-se a isso o fato de que esses materiais são caros e eu não estou podendo me dar o luxo de comprar e testar por mim mesma toda a variedade de coisas que me deixam em dúvida. Felizmente tem gente legal no mundo que compra e compartilha a experiência para que gente como eu possa ter alguma noção do que esperar de cada material e ter mais chances de acertar na escolha.

Li em vários lugares sobre o como os lápis aquareláveis eram muito macios e pigmentados. De fato são mesmo! Vi também muitas resenhas mostrando desenhos lindos feitos com lápis aquareláveis usados como se fossem lápis permanentes, ou seja, simplesmente pintando no papel seco e sem molhar depois. E não foram poucos desenhos lindos que vi feitos dessa maneira!

Depois de ver tantos elogios e recomendações aos lápis aquareláveis, cheguei à conclusão de que era melhor comprar esse tipo de lápis de cor, já que eu poderia usá-los normalmente como lápis permanentes e aquarelar quando quisesse. Na minha cabeça era comprar dois materiais pelo preço de um! Um belo negócio!

Como essas ideias me vieram na época do meu aniversário, acabei ganhando os lápis ao invés de precisar comprar (♥)

Meu testes úmidos com os lápis foram muito satisfatórios. Fiquei encantada! Nem sabia direito como usar esses lápis… mas fui pegando o jeito… eles se dissolvem completamente e têm cores lindas. O problema veio mesmo quando eu tentei usar a outra faceta dele: como lápis permanente.

Fiz um desenho para exemplificar meu problema com esse material (o papel usado foi o Canson 90g/m² do meu caderno de rascunhos).

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Se você abrir a foto vai conseguir perceber que onde há poucas camadas de cor, como no balão da garota, não há grandes problemas, mas onde foi preciso misturar cores, ou mesmo passar uma camada mais generosa da mesma cor, como no chapéu dela, por exemplo, fica uma textura granulada. As cores não se misturam. Parece que uma cor “arranca” a outra. A fusão é muito difícil. Se notarem, no laço e no cabelo na menina, que eu usei apenas duas cores,o acabamento é aceitável (embora bem abaixo do que eu esperava), mas as três cores do chapéu já foram demais para os lápis. Mesmo nos lugares em que usei uma cor só o acabamento não foi dos melhores, como no sapato da menina. Note como na transição do marrom para o branco (do próprio papel) também deixa um granulado estranho.

Fiz outros desenhos com esses lápis que já apareceram aqui no blog, como a minha gata Capitu (aqui), os peixinhos do Projeto Ilustra (aqui) e uma girafa rupestre da minha lista de desafios (aqui). Em todos eles notei esse problema. Além disso, esses lápis deixam uma textura “grossa” e opaca no desenho, o que não dá para perceber na foto, mas é bem evidente ao vivo.

Não quero dizer com isso que os lápis sãos ruins, pelo contrário, são excelentes e recomendo. Entretanto, só compre se for utilizar seu efeito de aquarela, ou se não se importar com esses pontinhos de cor mal espalhados no papel. Para quem quiser pintar com o lápis seco, é melhor comprar lápis permanentes. Eles são concebidos para pinturas secas, então faz sentido que se comportem melhor mesmo. Não acho que quem diz que só usa lápis aquarelável (inclusive para técnicas secas) esteja mentindo, talvez o problema seja com a marca… talvez essa marca não se comporte tão bem quanto outras… não sei.

Enfim, minha ideia nessa postagem era mostrar uma experiência diferente das que já li sobre esse material; assim, você que está lendo e pensando se compensa comprar lápis aquarelável para usar como permanente pode pensar melhor. Acho que se alguém tivesse me dito que o efeito desses lápis secos era assim, eu teria optado por lápis permanentes.

Mas…como há males que vem para bem… tenho gostado muito de explorar esse efeito de aquarela que eles proporcionam. Como eu disse, para quem quer aquarelar, esses lápis são ótimos 😉

 

 

 

 

Não esquece de dizer o que achou da postagem nos comentário! Especialmente você que usa lápis aquareláveis em técnicas secas e dá certo. Divida conosco o segredo dessa mágica! rs

 

 

Até mais,

 

 

Nani

 

 

 

Projeto Ilustra (junho)

Mais um final de mês, mais um desenho para o Projeto Ilustra!

Neste mês eu demorei para descobrir qual era o tema… descobri só na reta final, o que fez esse desafio juntar com outros compromissos de fim de semestre. Cheguei a pensar que não fosse dar para entregar no dia, mas depois eu lembrei que esse projeto é um desafio, e desafios não recebem esse nome porque são fáceis. Faz parte do desafio driblar dificuldades “internas” (relacionadas ao próprio desenho, como desenhar um elemento que não te deixe tão confortável) e “externas” (como gerenciar seu tempo para conseguir cumprir o desafio). Além disso, o erro foi meu. Como eu não consegui encontrar o tema nas redes sociais do pessoal do Projeto, eu deveria ter perguntado.

Enfim… aos 45 do segundo tempo, eu descobri que o tema deste mês era vídeo-game. Confesso que não me animei de primeira. Faz muito tempo que não jogo. Já até tentei jogar com meu irmão, com uns amigos… acho divertido na hora, mas não é algo que eu fique esperando para fazer. Vivo bem sem. (Muita gente deve estar me achando horrível agora, mas eu juro que sou gente boa! rs)

Apesar de não ser grande entusiasta dos vídeo-games hoje, eles fizeram parte da minha infância e lembro com muito carinho de momentos que passei com meu irmão, meu primo e o Super Nintendo. Houve mais vídeo-games na minha vida, mas eu sempre me lembro de ir na casa do meu primo e jogar Super Mário World, Top Gear, Super Metroid (eu tinha muito medo desse jogo, devia ser a música sinistra), Aladdin, Street Fighter, Mortal Kombat (esses dois últimos minha mãe não gostava que meu irmão e eu jogássemos, porque ela achava muito violento), entre outros. Lembro de assoprar embaixo das fitas para elas funcionarem… de sentar no chão ou arrastar o sofá, porque o fio do controle não era comprido o bastante… de que alguém sempre tropeçava nesses fios e mandava tudo para o chão… de todos reunidos para jogar e poder jogar apenas dois por vez (no mundo pré-internet que gente com quase trinta anos consegue se lembrar), de ser a única menina da sala… da minha tia fazendo pipoca para todo mundo e depois mandando todo mundo voltar pra casa porque já era tarde…

Então, ao invés de desenhar algo baseado em algum jogo, decidi retratar essa nostalgia pelo Super-Nintendo nesse desafio. Eu ia fazer um desenho mais realista em grafite, mas isso faria eu perder o prazo do desafio, então sacrifiquei a ideia inicial e fiz uma versão mais “engraçadinha” totalmente em caneta Stabilo Point 88, no meu caderno de rascunhos, (que é feito em papel Canson 90g/m² no tamanho A5). O resultado foi esse aqui:

 

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No final, o tema que nem tinha me animado de início, fez com que eu recuperasse tantas memórias da minha infância! Fui dormir feliz no dia que fiz esse desenho 🙂

Até hoje eu acho que o Super Nintendo foi o melhor vídeo-game de todos os tempos.

Mas pensando bem… boa mesmo foi minha infância. Só posso agradecer a todos que fizeram parte dela 🙂

 

 

Você também tem um amor incondicional por algum vídeo-game? Conta nos comentários! Não deixe eu me perder sozinha nessa nostalgia toda 🙂

 

Até mais,

 

 

Nani

Minhas gatas em lápis de cor

Olá!

Faz poucos dias que eu finalizei um desenho de uma das minhas gatas, então decidi trazer o resultado aqui no Vinho Tinta. Quem segue o Twitter do Vinho Tinta já conhece essas lindonas (se você não segue, aproveita a deixa ;D).

Ultimamente tenho tentado diversificar nos materiais e nos desenhos, para sempre sair da minha zona de conforto. Quando ganhei os lápis aquareláveis da Koh-I-Noor (já falei um pouco sobre eles aqui) eu quis experimentar fazendo um desenho da minha gata. Na época eu só tinha uma, a Capitu.

Capitu, girassois e janela. Lápis aquarelável Koh-I-Noor.jpg

Esse aqui foi meu primeiro desenho com lápis aquareláveis sem aquarelar. Usei uma folha de papel Canson 90g/m² em tamanho A4, fiz o esboço com lápis grafite 2B da Faber-Castell e pintei, como já disse, com lápis de cor aquarelável Mondeluz, da Koh-I-Noor.

Note como as cores são fortes. Isso me deixou encantada na época, embora eu ainda não entendesse muito bem como proceder com esses lápis. Como eu estava habituada apenas a lápis escolares (mais duros), levei um tempo para conseguir dosar a força e minha “mão pesada” me fez quebrar a ponta do preto muitas vezes.

Eu tinha grandes expectativas sobre o branco, esperava que ele se sobrepusesse às outras cores (mas acho que um lápis de cor branco com essa capacidade é uma utopia), o que não aconteceu. Apesar de não ficar tão branco quanto eu tinha esperança, ele aparece bem, como você pode perceber nas partes mais iluminadas.

Tentei dar um toque surrealista no desenho com essa janela que não tem razão de ser. Ela está na frente do vaso de girassóis, e não tem como ela estar lá, pois ela deveria estar fixada na parede, mas não está fixada em lugar algum.

Terminei esse desenho bem decepcionada com a textura do lápis de cor no papel. Ficou meio “grosso” e embaçado, o que não dá para perceber pela foto, mas ao vivo eu achei o desenho meio opaco. Além disso, nesse desenho eu já comecei a perceber que as cores não se misturavam muito bem quando eu usava muitas camadas (hoje eu já superei essa decepção. A redenção do lápis aquarelável sem aquarelar veio com esse desenho aqui) .

Na época em que eu estava terminando  o desenho da Capitu, a Aurora, minha outra gata, apareceu na minha vida.

lápis de cor.jpg

Eu fiquei com um enorme peso na consciência por ter um desenho de uma das minhas gatas e não ter da outra. Sei que elas não se importam, mas meu coraçãozinho de mãe se sentia mal por parecer que eu gostava mais de uma do que da outra, porque só uma tinha ganhado um retrato. Eu não sosseguei enquanto não consegui desenhar a Aurora também.

Para esse desenho eu usei papel Canson 224g/m² em tamanho A4, lápis de cor Polychromos, da Faber-Castell, Coloursoft, da Derwent e Prismacolor, além da caneta gel branca uni-ball Signo, da Mitsubishi. Usei esse papel mais grosso, pois tinha a intenção de fazer com lápis aquarelável e aquarelar depois, mas no meio do caminho mudei de ideia e decidi fazer com lápis de cor permanente. Estou simplesmente apaixonada  por esses lápis, eles se misturam muito bem (menos os da Prismacolor, esses parecem ter uma textura mais oleosa que não se dá muito bem com os outros lápis na hora da fusão; em compensação, os da Prismacolor conseguem se sobrepor aos outros, o que pode ser uma vantagem) e têm as cores muito bonitas. Além disso, esses lápis são muito macios e têm alta resistência à luz.

Ando querendo desenhar mais animais e aproveitar mais minhas gatas como modelos também, então haverá mais postagens sobre elas por aqui. Estou pensando, inclusive, em contar um pouquinho da história delas, ao invés de apenas escrever sobre os desenhos, como fiz hoje. O que acha? Conta para mim lá nos comentários!

 

Até mais,

 

 

Nani

 

Lista de desafios (desafio 11): girafa rupestre e respeito ao material

Olá!

Hoje trago o resultado de mais um desafio daquela lista que você já conhece (caso esteja chegando agora no Vinho Tinta, pode entender melhor clicando aqui). Dessa vez o desenho sorteado foi uma girafa e o estilo foi o rupestre. Mais uma vez achei que o destino facilitou minha vida, pois o desenho e o estilo sorteados combinam.

Para tornar o exercício mais interessante, fiz uma pesquisa rápida de referências, olhei algumas figuras e tentei desenhar de memória, sem consultar nenhuma referência durante o desenho.

Já comentei que não gosto de efeito do lápis de cor aquarelável sem aquarelar, mas dessa vez resolvi usar a textura “pastosa” com pontinhos de cor que não se misturam a meu favor, para criar uma pedra interessante que serviria de “tela” para minha girafa.

O desenho foi feito no meu caderno de rascunhos, que tem folhas tamanho A5 de papel Canson 90g/m². Não utilizei lápis grafite para esboço nem borracha, foi tudo feito com os lápis de cor aquareláveis Mondeluz, da Koh-I-Noor (já falei deles aqui). O resultado foi esse:

girafa rupestre - lápis de cor Koh-i-noor.jpg

Sou apaixonada por esse tom de marrom avermelhado mais à esquerda, por isso usei na sombra da pedra e no desenho da girafa. Como eu já não estava usando referência (pelo menos não diretamente), também me permiti utilizar umas cores fortes e menos realistas, como esse amarelo que predomina no lado direito.

Você pode perceber, especialmente nas partes em que precisei sobrepor mais cores, como a textura dos lápis fica granulada. É desse efeito que não gosto. Mas como o acabamento desse desenho era mais rústico, achei que funcionou. É por isso que é tão importante não desistir de um material só porque teve uma experiência ruim. Às vezes a culpa não é do material, mas da nossa falta de conhecimento sobre ele. Às vezes esperamos um efeito, mas o material nos dá outro… e não devemos odiá-lo por isso, mas guardar essa experiência e aprender com ela. Não somos obrigados a gostar de todos os materiais, mas é importante conhecermos bem suas características; assim, saberemos como tirar o melhor de cada material em cada situação e ampliaremos nossas possibilidades 🙂

Esse foi o primeiro desenho que fiz com esses lápis sem aquarelar que gostei do resultado. No início eu queria que se comportassem como lápis de cor permanentes que viravam aquarela magicamente só quando eu molhasse. Eles não são assim, a mina deles é diferente da dos lápis permanentes e não adianta querer que se comportem como algo que não são. A questão é que isso não é ruim, não é um defeito dos lápis, é a característica deles. Se eu quiser degradês e sobreposições suaves, devo trocar de material, pois esse entrega uma textura granulada, que pode ser útil em outros momentos.

Eu já sabia da importância de conhecer e de respeitar cada material, mas esse desafio veio para me lembrar disso.

 

Um abraço e até mais 🙂

 

Nani