Meus materiais 3: Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz (parte II)

Olá!

Faz um tempinho que falei sobre os lápis de cor aquareláveis Mondeluz, da Koh-I-Noor (você pode ler sobre isso aqui); na ocasião, eu comentei que tinha gostado bastante desses lápis, mas o efeito dele seco me incomodava e que faria uma postagem para explicar isso melhor. Então é sobre esse uso particular dos lápis aquareláveis que quero tratar hoje.

A motivação para escrever sobre esse assunto veio do fato de eu ler muitas resenhas falando sobre o quanto esses lápis eram melhores que os lápis de minas permanentes, o que me levou a escolher os primeiros e a uma enorme frustração (que já foi superada) com esse material.

Já comentei aqui no blog que é um hábito meu pesquisar bastante antes de comprar materiais artísticos, pois não encontro esses materiais na minha cidade e preciso apelar para as lojas on-line, o que gera alguns problemas, uma vez que não posso pegar o material na mão para ver, não posso riscar para testar e as cores no monitor do computador não são exatamente as mesmas do produto… é sempre uma compra às cegas. Soma-se a isso o fato de que esses materiais são caros e eu não estou podendo me dar o luxo de comprar e testar por mim mesma toda a variedade de coisas que me deixam em dúvida. Felizmente tem gente legal no mundo que compra e compartilha a experiência para que gente como eu possa ter alguma noção do que esperar de cada material e ter mais chances de acertar na escolha.

Li em vários lugares sobre o como os lápis aquareláveis eram muito macios e pigmentados. De fato são mesmo! Vi também muitas resenhas mostrando desenhos lindos feitos com lápis aquareláveis usados como se fossem lápis permanentes, ou seja, simplesmente pintando no papel seco e sem molhar depois. E não foram poucos desenhos lindos que vi feitos dessa maneira!

Depois de ver tantos elogios e recomendações aos lápis aquareláveis, cheguei à conclusão de que era melhor comprar esse tipo de lápis de cor, já que eu poderia usá-los normalmente como lápis permanentes e aquarelar quando quisesse. Na minha cabeça era comprar dois materiais pelo preço de um! Um belo negócio!

Como essas ideias me vieram na época do meu aniversário, acabei ganhando os lápis ao invés de precisar comprar (♥)

Meu testes úmidos com os lápis foram muito satisfatórios. Fiquei encantada! Nem sabia direito como usar esses lápis… mas fui pegando o jeito… eles se dissolvem completamente e têm cores lindas. O problema veio mesmo quando eu tentei usar a outra faceta dele: como lápis permanente.

Fiz um desenho para exemplificar meu problema com esse material (o papel usado foi o Canson 90g/m² do meu caderno de rascunhos).

CAM00890.jpg

Se você abrir a foto vai conseguir perceber que onde há poucas camadas de cor, como no balão da garota, não há grandes problemas, mas onde foi preciso misturar cores, ou mesmo passar uma camada mais generosa da mesma cor, como no chapéu dela, por exemplo, fica uma textura granulada. As cores não se misturam. Parece que uma cor “arranca” a outra. A fusão é muito difícil. Se notarem, no laço e no cabelo na menina, que eu usei apenas duas cores,o acabamento é aceitável (embora bem abaixo do que eu esperava), mas as três cores do chapéu já foram demais para os lápis. Mesmo nos lugares em que usei uma cor só o acabamento não foi dos melhores, como no sapato da menina. Note como na transição do marrom para o branco (do próprio papel) também deixa um granulado estranho.

Fiz outros desenhos com esses lápis que já apareceram aqui no blog, como a minha gata Capitu (aqui), os peixinhos do Projeto Ilustra (aqui) e uma girafa rupestre da minha lista de desafios (aqui). Em todos eles notei esse problema. Além disso, esses lápis deixam uma textura “grossa” e opaca no desenho, o que não dá para perceber na foto, mas é bem evidente ao vivo.

Não quero dizer com isso que os lápis sãos ruins, pelo contrário, são excelentes e recomendo. Entretanto, só compre se for utilizar seu efeito de aquarela, ou se não se importar com esses pontinhos de cor mal espalhados no papel. Para quem quiser pintar com o lápis seco, é melhor comprar lápis permanentes. Eles são concebidos para pinturas secas, então faz sentido que se comportem melhor mesmo. Não acho que quem diz que só usa lápis aquarelável (inclusive para técnicas secas) esteja mentindo, talvez o problema seja com a marca… talvez essa marca não se comporte tão bem quanto outras… não sei.

Enfim, minha ideia nessa postagem era mostrar uma experiência diferente das que já li sobre esse material; assim, você que está lendo e pensando se compensa comprar lápis aquarelável para usar como permanente pode pensar melhor. Acho que se alguém tivesse me dito que o efeito desses lápis secos era assim, eu teria optado por lápis permanentes.

Mas…como há males que vem para bem… tenho gostado muito de explorar esse efeito de aquarela que eles proporcionam. Como eu disse, para quem quer aquarelar, esses lápis são ótimos 😉

 

 

 

 

Não esquece de dizer o que achou da postagem nos comentário! Especialmente você que usa lápis aquareláveis em técnicas secas e dá certo. Divida conosco o segredo dessa mágica! rs

 

 

Até mais,

 

 

Nani

 

 

 

Meus materiais 2: Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz (parte I)

Olá!

Hoje venho mostrar mais um dos materiais que utilizo nos meus desenhos, os lápis da marca Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz. A linha Mondeluz é a linha aquarelável da Koh-I-Noor e existem versões de 12, 24, 36, 48 ou 72 cores. Minha lindona é a de 48:

CAM00967.jpg

CAM00960.jpg

Como dá  para perceber, minha caixa já está usada. Na verdade, poderia estar até mais usada. Eu ganhei essa caixa de presente de aniversário em setembro do ano passado, mas faz pouco tempo que superei meu medo infinito de gastar esses lápis.

Desde quando eu decidi investir em materiais melhores, eu estava namorando essa caixa , e no meu aniversário acabei ganhando (na verdade eu estava namorando a de 36 cores, então o presente saiu melhor que a encomenda! Amor ♥). Entretanto, como eu já comentei lá no Twitter do Vinho Tinta, o problema de materiais caros é que eles me bloqueiam, fico com muito medo de errar com eles e gastar material à toa (nenhum desenho é à toa, mesmo o desastrosos, pois eles nos dão experiência. Infelizmente, falar isso é mais fácil do que seguir).

A embalagem dessa caixa é de papelão, dentro há duas bandejas de plástico com 24 lápis cada, e na parte de baixo de cada bandeja vem um pincel (um número 3 e um número 8) , como é possível ver pelas fotos acima. Em um compartimento secreto vem um apontador:

CAM00966.jpg

Olha os pincéis e o apontador aí:

CAM00975.jpg

O apontador é muito simples, de plástico transparente, mais básico do que isso seria impossível. Não é nada que você não possa encontrar na papelaria da esquina e levar para casa por R$ 2; ainda assim, é o apontador que eu uso e tem me servido muito bem (aliás, ele já apareceu em outra resenha aqui).

Os pincéis já surpreendem um pouco mais, são excelentes!

Quando vi que vinham dois pinceis na caixa, imaginei que seriam bem fuleira, só para matarmos a vontade de aquarelar, mas que depois seria necessário comprar um pincel bom… que engano o meu! Eu diria que dá para ficar só com esses dois pinceis tranquilamente, pois além de serem muito bons, a escolha dos tamanhos também foi muito inteligente.

Na caixa não fala qual o material das cerdas desses pincéis, mas são tão macias e delicadas que não posso acreditar que sejam sintéticas. Se alguém souber o material dessa cerdas, por favor, deixe nos comentários, pois eu realmente gostaria de saber. Eu tenho pincéis sintéticos, de pelo de marta, de marta tropical (apesar da incoerência do nome) e de orelha de boi, mas acho que esses são os mais macios que tenho!

Agora vamos às estrelas:

CAM00846.jpg

A mina desses lápis é muito macia, como é comum entre os lápis aquareláveis e pouquíssima coisa maior um lápis comum (estou usando como referência os lápis de cor da linha escolar da Faber-Castell, que todo mundo conhece). O corpo do lápis também é parecido com um lápis comum e é sextavado, mas com as quinas mais suaves do que os escolares da Faber. Para mim, isso de corpo triangular, redondo, sextavado… não faz a menor diferença. A única coisa que realmente me faz estranhar ou não um lápis é o diâmetro do corpo. Quando o corpo do lápis é muito grosso ou muito fino, então eu sinto alguma diferença na hora de pintar, mas isso não acontece com esses lápis. Nas duas fotos abaixo eu coloquei um lápis Mondeluz (lápis da esquerda) ao lado de um comum (lápis da direita) para vocês verem como são parecidos:

CAM00979.jpg

CAM00981.jpg

Assim como a mina, a madeira também é muito macia (na propaganda diz que os lápis são feitos de Cedro, não sou especialista em madeira, mas essa é tão macia que eu acredito), então são muito fáceis de apontar. E como eles são muito bem pigmentados, você não precisa fazer força alguma para deixar bastante cor no papel. A pedreira aqui, acostumada com lápis de cor escolar (bem mais duro), demorou para pegar o jeito e o resultado é que meu lápis preto já está quase na metade (e não é porque usei tudo isso, é porque quebrei muitas vezes a ponta dele).

Apesar de os lápis serem muito macios, não achei que se desgastam tanto como li em algumas resenhas. Como eu disse, eles são muito pigmentados, então praticamente não é preciso fazer força e com quase nada de mina, você tem uma cor muito intensa, uniforme, brilhante e bonita. A dificuldade talvez venha do fato de que, por serem muito macios, mesmo afiando bem as pontas deles, elas não duram muito.

Importante observar também que, apesar dessa etiqueta:

CAM00230.jpg

esses lápis têm qualidade intermediária. Provavelmente essa etiqueta foi colocada pela loja para diferenciar essa caixa de outras de menor qualidade, mas não chega a ser um material profissional.

Existem basicamente três tipos de lápis de cor, os lápis de linhas escolares/estudantes, os lápis intermediários e os lápis profissionais/artísticos. Os lápis de linhas de linhas escolares são muito básicos, a mina deles tem menos pigmentos, a madeira é menos nobre, então as cores são menos intensas e os lápis mais duros. É possível fazer bons trabalhos com eles, mas você sofre um pouco mais e seus desenhos provavelmente desbotarão com o tempo (ainda pretendo fazer uma postagem sobre a qualidade da resistência à luz dos lápis de cor, mas, em linhas gerais, os pigmentos dos lápis escolares são inferiores e não resistem bem à luz, por isso acabam desbotando). Os lápis de linhas intermediárias são o primeiro passo rumo aos lápis profissionais, por isso apresentam muitas das características comuns aos lápis profissionais, como uma mina mais macia e mais pigmentada. Há quem diga que muitas linhas intermediárias (as da Koh-I-Noor, por exemplo) não perdem em nada para as profissionais. Foi  com isso em mente que preferi me aventurar com uma caixa de lápis intermediários (um pouco mais baratos) antes de investir meu rim em uma caixa profissional. Os lápis profissionais são fabricados pensando não apenas nas cores, mas também na durabilidade dos trabalhos, por isso, além da maciez e boa pigmentação da mina e da nobreza da madeira, as cores são mais resistentes à luz.

Uma boa maneira de saber se os lápis que você está levando para casa são intermediários ou profissionais (além do preço) é pesquisar nos site da marca sobre a linha que você está adquirindo, pois a marca sabe o que está vendendo, mas loja em que você está comprando, nem sempre sabe. Marcas sérias costumam respeitar seus clientes e diferenciar muito bem seus produtos. Se não houver nenhum tipo de indicação ou preocupação com a menção à qualidade e nobreza dos materiais, bem como à resistência à luz, provavelmente esses lápis não possuem tais características e não podem ser considerados profissionais. Não há problema nenhum em comprar lápis escolares ou intermediários, você só precisa estar informado para poder levar exatamente o que procura. Uma dica um pouco mais prática para diferenciar os lápis é que os profissionais costumam vir melhor embalados (em embalagens de metal ou madeira), enquanto os demais costumam vir em embalagens de papelão; além disso, os lápis profissionais são vendidos também avulsos, justamente para que os artistas possam repor seus estoques sem precisar comprar o estojo todo.

***

Fiz um desenho para mostrar os Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz em ação. O desenho todo foi feito com esses lápis, até mesmo o esboço. Não é bom usar lápis grafite para fazer esboço quando se pretende aquarelar depois, pois ele vai manchar quando você passar água, ou então a parte colorida vai aquarelar e a parte em grafite vai ficar intacta – um lindo risco de grafite na sua aquarela. Em qualquer um dos casos, não é bom.

CAM00927.jpg

Olha como esses lápis são pigmentados, como a cor é intensa! Não fiz força nenhuma e olha como as cores ficaram vibrantes:

CAM00930.jpg

As cores também dissolvem e se misturam muito bem quando molhadas:

CAM00938.jpg

Como acontece com qualquer aquarela, as corem ficam um pouco mais claras depois de secas:

CAM00951.jpg

Depois de secas, as cores não aquarelam de novo, isso possibilita que você passe o lápis e aquarele por cima sem comprometer a camada de baixo. Eu acho isso uma vantagem.

Também é possível utilizar esses lápis como uma aquarela comum. Basta riscar um papel qualquer (eu risquei a fita crepe que prendia meu desenho) e utilizar seu rabisco como utilizaria uma pastilha de aquarela:

CAM00956.jpg

Fiz o fundo todo do desenho com essa pastilha de aquarela improvisada. E esse foi o resultado final:

CAM00991.jpg

Para esse teste eu utilizei papel Canson 224 g/m². Essa gramatura é baixa para aquarelar, o papel não suporta muitas aguadas, então, em alguns pontos ele ficou meio áspero, mas a culpa não foi dos lápis ou do papel, eu que fui teimosa. Fora isso, os lápis são realmente ótimos e recomendo a todos que queiram lápis aquareláveis macios, com cores fortes e que  dissolvem e se misturam bem.

Em breve postarei a segunda parte desse assunto, que é sobre usar lápis aquareláveis sem aquarelar (é possível e muita gente faz, mas eu não achei que é um negócio tão bom assim).

Espero que essa postagem tenha sido útil 😉

Aproveita que está com a mão no mouse e segue o  Twitter do vinho Tinta  😉

 

Até mais :*

 

 

Nani