Meus materiais 3: Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz (parte II)

Olá!

Faz um tempinho que falei sobre os lápis de cor aquareláveis Mondeluz, da Koh-I-Noor (você pode ler sobre isso aqui); na ocasião, eu comentei que tinha gostado bastante desses lápis, mas o efeito dele seco me incomodava e que faria uma postagem para explicar isso melhor. Então é sobre esse uso particular dos lápis aquareláveis que quero tratar hoje.

A motivação para escrever sobre esse assunto veio do fato de eu ler muitas resenhas falando sobre o quanto esses lápis eram melhores que os lápis de minas permanentes, o que me levou a escolher os primeiros e a uma enorme frustração (que já foi superada) com esse material.

Já comentei aqui no blog que é um hábito meu pesquisar bastante antes de comprar materiais artísticos, pois não encontro esses materiais na minha cidade e preciso apelar para as lojas on-line, o que gera alguns problemas, uma vez que não posso pegar o material na mão para ver, não posso riscar para testar e as cores no monitor do computador não são exatamente as mesmas do produto… é sempre uma compra às cegas. Soma-se a isso o fato de que esses materiais são caros e eu não estou podendo me dar o luxo de comprar e testar por mim mesma toda a variedade de coisas que me deixam em dúvida. Felizmente tem gente legal no mundo que compra e compartilha a experiência para que gente como eu possa ter alguma noção do que esperar de cada material e ter mais chances de acertar na escolha.

Li em vários lugares sobre o como os lápis aquareláveis eram muito macios e pigmentados. De fato são mesmo! Vi também muitas resenhas mostrando desenhos lindos feitos com lápis aquareláveis usados como se fossem lápis permanentes, ou seja, simplesmente pintando no papel seco e sem molhar depois. E não foram poucos desenhos lindos que vi feitos dessa maneira!

Depois de ver tantos elogios e recomendações aos lápis aquareláveis, cheguei à conclusão de que era melhor comprar esse tipo de lápis de cor, já que eu poderia usá-los normalmente como lápis permanentes e aquarelar quando quisesse. Na minha cabeça era comprar dois materiais pelo preço de um! Um belo negócio!

Como essas ideias me vieram na época do meu aniversário, acabei ganhando os lápis ao invés de precisar comprar (♥)

Meu testes úmidos com os lápis foram muito satisfatórios. Fiquei encantada! Nem sabia direito como usar esses lápis… mas fui pegando o jeito… eles se dissolvem completamente e têm cores lindas. O problema veio mesmo quando eu tentei usar a outra faceta dele: como lápis permanente.

Fiz um desenho para exemplificar meu problema com esse material (o papel usado foi o Canson 90g/m² do meu caderno de rascunhos).

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Se você abrir a foto vai conseguir perceber que onde há poucas camadas de cor, como no balão da garota, não há grandes problemas, mas onde foi preciso misturar cores, ou mesmo passar uma camada mais generosa da mesma cor, como no chapéu dela, por exemplo, fica uma textura granulada. As cores não se misturam. Parece que uma cor “arranca” a outra. A fusão é muito difícil. Se notarem, no laço e no cabelo na menina, que eu usei apenas duas cores,o acabamento é aceitável (embora bem abaixo do que eu esperava), mas as três cores do chapéu já foram demais para os lápis. Mesmo nos lugares em que usei uma cor só o acabamento não foi dos melhores, como no sapato da menina. Note como na transição do marrom para o branco (do próprio papel) também deixa um granulado estranho.

Fiz outros desenhos com esses lápis que já apareceram aqui no blog, como a minha gata Capitu (aqui), os peixinhos do Projeto Ilustra (aqui) e uma girafa rupestre da minha lista de desafios (aqui). Em todos eles notei esse problema. Além disso, esses lápis deixam uma textura “grossa” e opaca no desenho, o que não dá para perceber na foto, mas é bem evidente ao vivo.

Não quero dizer com isso que os lápis sãos ruins, pelo contrário, são excelentes e recomendo. Entretanto, só compre se for utilizar seu efeito de aquarela, ou se não se importar com esses pontinhos de cor mal espalhados no papel. Para quem quiser pintar com o lápis seco, é melhor comprar lápis permanentes. Eles são concebidos para pinturas secas, então faz sentido que se comportem melhor mesmo. Não acho que quem diz que só usa lápis aquarelável (inclusive para técnicas secas) esteja mentindo, talvez o problema seja com a marca… talvez essa marca não se comporte tão bem quanto outras… não sei.

Enfim, minha ideia nessa postagem era mostrar uma experiência diferente das que já li sobre esse material; assim, você que está lendo e pensando se compensa comprar lápis aquarelável para usar como permanente pode pensar melhor. Acho que se alguém tivesse me dito que o efeito desses lápis secos era assim, eu teria optado por lápis permanentes.

Mas…como há males que vem para bem… tenho gostado muito de explorar esse efeito de aquarela que eles proporcionam. Como eu disse, para quem quer aquarelar, esses lápis são ótimos 😉

 

 

 

 

Não esquece de dizer o que achou da postagem nos comentário! Especialmente você que usa lápis aquareláveis em técnicas secas e dá certo. Divida conosco o segredo dessa mágica! rs

 

 

Até mais,

 

 

Nani

 

 

 

Lista de desafios (desafio 11): girafa rupestre e respeito ao material

Olá!

Hoje trago o resultado de mais um desafio daquela lista que você já conhece (caso esteja chegando agora no Vinho Tinta, pode entender melhor clicando aqui). Dessa vez o desenho sorteado foi uma girafa e o estilo foi o rupestre. Mais uma vez achei que o destino facilitou minha vida, pois o desenho e o estilo sorteados combinam.

Para tornar o exercício mais interessante, fiz uma pesquisa rápida de referências, olhei algumas figuras e tentei desenhar de memória, sem consultar nenhuma referência durante o desenho.

Já comentei que não gosto de efeito do lápis de cor aquarelável sem aquarelar, mas dessa vez resolvi usar a textura “pastosa” com pontinhos de cor que não se misturam a meu favor, para criar uma pedra interessante que serviria de “tela” para minha girafa.

O desenho foi feito no meu caderno de rascunhos, que tem folhas tamanho A5 de papel Canson 90g/m². Não utilizei lápis grafite para esboço nem borracha, foi tudo feito com os lápis de cor aquareláveis Mondeluz, da Koh-I-Noor (já falei deles aqui). O resultado foi esse:

girafa rupestre - lápis de cor Koh-i-noor.jpg

Sou apaixonada por esse tom de marrom avermelhado mais à esquerda, por isso usei na sombra da pedra e no desenho da girafa. Como eu já não estava usando referência (pelo menos não diretamente), também me permiti utilizar umas cores fortes e menos realistas, como esse amarelo que predomina no lado direito.

Você pode perceber, especialmente nas partes em que precisei sobrepor mais cores, como a textura dos lápis fica granulada. É desse efeito que não gosto. Mas como o acabamento desse desenho era mais rústico, achei que funcionou. É por isso que é tão importante não desistir de um material só porque teve uma experiência ruim. Às vezes a culpa não é do material, mas da nossa falta de conhecimento sobre ele. Às vezes esperamos um efeito, mas o material nos dá outro… e não devemos odiá-lo por isso, mas guardar essa experiência e aprender com ela. Não somos obrigados a gostar de todos os materiais, mas é importante conhecermos bem suas características; assim, saberemos como tirar o melhor de cada material em cada situação e ampliaremos nossas possibilidades 🙂

Esse foi o primeiro desenho que fiz com esses lápis sem aquarelar que gostei do resultado. No início eu queria que se comportassem como lápis de cor permanentes que viravam aquarela magicamente só quando eu molhasse. Eles não são assim, a mina deles é diferente da dos lápis permanentes e não adianta querer que se comportem como algo que não são. A questão é que isso não é ruim, não é um defeito dos lápis, é a característica deles. Se eu quiser degradês e sobreposições suaves, devo trocar de material, pois esse entrega uma textura granulada, que pode ser útil em outros momentos.

Eu já sabia da importância de conhecer e de respeitar cada material, mas esse desafio veio para me lembrar disso.

 

Um abraço e até mais 🙂

 

Nani

 

 

Meus materiais 2: Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz (parte I)

Olá!

Hoje venho mostrar mais um dos materiais que utilizo nos meus desenhos, os lápis da marca Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz. A linha Mondeluz é a linha aquarelável da Koh-I-Noor e existem versões de 12, 24, 36, 48 ou 72 cores. Minha lindona é a de 48:

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Como dá  para perceber, minha caixa já está usada. Na verdade, poderia estar até mais usada. Eu ganhei essa caixa de presente de aniversário em setembro do ano passado, mas faz pouco tempo que superei meu medo infinito de gastar esses lápis.

Desde quando eu decidi investir em materiais melhores, eu estava namorando essa caixa , e no meu aniversário acabei ganhando (na verdade eu estava namorando a de 36 cores, então o presente saiu melhor que a encomenda! Amor ♥). Entretanto, como eu já comentei lá no Twitter do Vinho Tinta, o problema de materiais caros é que eles me bloqueiam, fico com muito medo de errar com eles e gastar material à toa (nenhum desenho é à toa, mesmo o desastrosos, pois eles nos dão experiência. Infelizmente, falar isso é mais fácil do que seguir).

A embalagem dessa caixa é de papelão, dentro há duas bandejas de plástico com 24 lápis cada, e na parte de baixo de cada bandeja vem um pincel (um número 3 e um número 8) , como é possível ver pelas fotos acima. Em um compartimento secreto vem um apontador:

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Olha os pincéis e o apontador aí:

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O apontador é muito simples, de plástico transparente, mais básico do que isso seria impossível. Não é nada que você não possa encontrar na papelaria da esquina e levar para casa por R$ 2; ainda assim, é o apontador que eu uso e tem me servido muito bem (aliás, ele já apareceu em outra resenha aqui).

Os pincéis já surpreendem um pouco mais, são excelentes!

Quando vi que vinham dois pinceis na caixa, imaginei que seriam bem fuleira, só para matarmos a vontade de aquarelar, mas que depois seria necessário comprar um pincel bom… que engano o meu! Eu diria que dá para ficar só com esses dois pinceis tranquilamente, pois além de serem muito bons, a escolha dos tamanhos também foi muito inteligente.

Na caixa não fala qual o material das cerdas desses pincéis, mas são tão macias e delicadas que não posso acreditar que sejam sintéticas. Se alguém souber o material dessa cerdas, por favor, deixe nos comentários, pois eu realmente gostaria de saber. Eu tenho pincéis sintéticos, de pelo de marta, de marta tropical (apesar da incoerência do nome) e de orelha de boi, mas acho que esses são os mais macios que tenho!

Agora vamos às estrelas:

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A mina desses lápis é muito macia, como é comum entre os lápis aquareláveis e pouquíssima coisa maior um lápis comum (estou usando como referência os lápis de cor da linha escolar da Faber-Castell, que todo mundo conhece). O corpo do lápis também é parecido com um lápis comum e é sextavado, mas com as quinas mais suaves do que os escolares da Faber. Para mim, isso de corpo triangular, redondo, sextavado… não faz a menor diferença. A única coisa que realmente me faz estranhar ou não um lápis é o diâmetro do corpo. Quando o corpo do lápis é muito grosso ou muito fino, então eu sinto alguma diferença na hora de pintar, mas isso não acontece com esses lápis. Nas duas fotos abaixo eu coloquei um lápis Mondeluz (lápis da esquerda) ao lado de um comum (lápis da direita) para vocês verem como são parecidos:

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Assim como a mina, a madeira também é muito macia (na propaganda diz que os lápis são feitos de Cedro, não sou especialista em madeira, mas essa é tão macia que eu acredito), então são muito fáceis de apontar. E como eles são muito bem pigmentados, você não precisa fazer força alguma para deixar bastante cor no papel. A pedreira aqui, acostumada com lápis de cor escolar (bem mais duro), demorou para pegar o jeito e o resultado é que meu lápis preto já está quase na metade (e não é porque usei tudo isso, é porque quebrei muitas vezes a ponta dele).

Apesar de os lápis serem muito macios, não achei que se desgastam tanto como li em algumas resenhas. Como eu disse, eles são muito pigmentados, então praticamente não é preciso fazer força e com quase nada de mina, você tem uma cor muito intensa, uniforme, brilhante e bonita. A dificuldade talvez venha do fato de que, por serem muito macios, mesmo afiando bem as pontas deles, elas não duram muito.

Importante observar também que, apesar dessa etiqueta:

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esses lápis têm qualidade intermediária. Provavelmente essa etiqueta foi colocada pela loja para diferenciar essa caixa de outras de menor qualidade, mas não chega a ser um material profissional.

Existem basicamente três tipos de lápis de cor, os lápis de linhas escolares/estudantes, os lápis intermediários e os lápis profissionais/artísticos. Os lápis de linhas de linhas escolares são muito básicos, a mina deles tem menos pigmentos, a madeira é menos nobre, então as cores são menos intensas e os lápis mais duros. É possível fazer bons trabalhos com eles, mas você sofre um pouco mais e seus desenhos provavelmente desbotarão com o tempo (ainda pretendo fazer uma postagem sobre a qualidade da resistência à luz dos lápis de cor, mas, em linhas gerais, os pigmentos dos lápis escolares são inferiores e não resistem bem à luz, por isso acabam desbotando). Os lápis de linhas intermediárias são o primeiro passo rumo aos lápis profissionais, por isso apresentam muitas das características comuns aos lápis profissionais, como uma mina mais macia e mais pigmentada. Há quem diga que muitas linhas intermediárias (as da Koh-I-Noor, por exemplo) não perdem em nada para as profissionais. Foi  com isso em mente que preferi me aventurar com uma caixa de lápis intermediários (um pouco mais baratos) antes de investir meu rim em uma caixa profissional. Os lápis profissionais são fabricados pensando não apenas nas cores, mas também na durabilidade dos trabalhos, por isso, além da maciez e boa pigmentação da mina e da nobreza da madeira, as cores são mais resistentes à luz.

Uma boa maneira de saber se os lápis que você está levando para casa são intermediários ou profissionais (além do preço) é pesquisar nos site da marca sobre a linha que você está adquirindo, pois a marca sabe o que está vendendo, mas loja em que você está comprando, nem sempre sabe. Marcas sérias costumam respeitar seus clientes e diferenciar muito bem seus produtos. Se não houver nenhum tipo de indicação ou preocupação com a menção à qualidade e nobreza dos materiais, bem como à resistência à luz, provavelmente esses lápis não possuem tais características e não podem ser considerados profissionais. Não há problema nenhum em comprar lápis escolares ou intermediários, você só precisa estar informado para poder levar exatamente o que procura. Uma dica um pouco mais prática para diferenciar os lápis é que os profissionais costumam vir melhor embalados (em embalagens de metal ou madeira), enquanto os demais costumam vir em embalagens de papelão; além disso, os lápis profissionais são vendidos também avulsos, justamente para que os artistas possam repor seus estoques sem precisar comprar o estojo todo.

***

Fiz um desenho para mostrar os Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz em ação. O desenho todo foi feito com esses lápis, até mesmo o esboço. Não é bom usar lápis grafite para fazer esboço quando se pretende aquarelar depois, pois ele vai manchar quando você passar água, ou então a parte colorida vai aquarelar e a parte em grafite vai ficar intacta – um lindo risco de grafite na sua aquarela. Em qualquer um dos casos, não é bom.

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Olha como esses lápis são pigmentados, como a cor é intensa! Não fiz força nenhuma e olha como as cores ficaram vibrantes:

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As cores também dissolvem e se misturam muito bem quando molhadas:

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Como acontece com qualquer aquarela, as corem ficam um pouco mais claras depois de secas:

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Depois de secas, as cores não aquarelam de novo, isso possibilita que você passe o lápis e aquarele por cima sem comprometer a camada de baixo. Eu acho isso uma vantagem.

Também é possível utilizar esses lápis como uma aquarela comum. Basta riscar um papel qualquer (eu risquei a fita crepe que prendia meu desenho) e utilizar seu rabisco como utilizaria uma pastilha de aquarela:

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Fiz o fundo todo do desenho com essa pastilha de aquarela improvisada. E esse foi o resultado final:

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Para esse teste eu utilizei papel Canson 224 g/m². Essa gramatura é baixa para aquarelar, o papel não suporta muitas aguadas, então, em alguns pontos ele ficou meio áspero, mas a culpa não foi dos lápis ou do papel, eu que fui teimosa. Fora isso, os lápis são realmente ótimos e recomendo a todos que queiram lápis aquareláveis macios, com cores fortes e que  dissolvem e se misturam bem.

Em breve postarei a segunda parte desse assunto, que é sobre usar lápis aquareláveis sem aquarelar (é possível e muita gente faz, mas eu não achei que é um negócio tão bom assim).

Espero que essa postagem tenha sido útil 😉

Aproveita que está com a mão no mouse e segue o  Twitter do vinho Tinta  😉

 

Até mais :*

 

 

Nani

 

Meus materiais 1: estilete ou apontador?

Olá!

Sempre tive curiosidade a respeito dos materiais que os artistas usam para fazer seus trabalhos e foi por meio de postagens como a que vou fazer hoje que conheci muitos materiais que utilizo atualmente. Meus materiais vai ser uma tag permanente aqui no Vinho Tinta, na qual vou abrir meus estojos e gavetas e mostrar o que uso para fazer meus desenhos. De material profissional a gambiarras, minha ideia é dividir experiências boas e ruins que tive com cada material e, quem sabe, ajudar você a escolher os seus e receber sugestões sobre os meus meus materiais.

Começo falando da eterna disputa entre apontador e estilete. Qual é melhor?

Eu uso os dois, então vamos compará-los.

Estilete

O meu estilete é esse aqui:

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Comprei em uma dessas lojas onde tem de tudo, como aquelas de R$ 1,99. Paguei algo em torno de R$ 5,00 e veio o estilete e duas lâminas extras. Se isso não é barato, eu não sei o que é!

Existem materiais que não precisam ser top de linha. Todos sabemos o quanto materiais técnicos e artísticos são caros e de alguns não temos como escapar, mas gastar muito dinheiro com outros é bobagem. Estilete é um desses casos. No final das contas, o que vai realmente fazer diferença no seu trabalho é o papel e o lápis (ou a tinta, se for o caso), para que as cores sejam vibrantes e duradouras. Mas se você apontar seu lápis com um estilete de R$ 500, um de R$ 5, ou com a faca da cozinha da sua mãe, não importa. A lâmina precisa ser afiada, só isso. Nesse aspecto, o meu me serve muito bem. Tenho ele há quase um ano e ainda não precisei trocar a lâmina. Não sei dizer de que marca é, já faz bastante tempo que comprei e já não tenho mais a caixinha dele, mas é um bem comum mesmo.

Se a gente for pensar bem, dá para matar alguém com um estilete, então não custa nada lembrar que é uma ferramenta que precisa ser manuseada com cuidado. Alguns estiletes são mais simples e a lâmina não fica parada no lugar enquanto você aponta. Eu já tive um desses e é uma derrota. Além de ser perigoso, você precisa ficar segurando a lâmina no lugar, o que é incômodo. Qualquer estilete pouquinha coisa melhor já tem algum sistema de trava na lâmina que vai facilitar sua vida. Esse que uso hoje tem (aqueles dentinhos perto da lâmina).

Não precisa abrir o estilete todo para fazer a ponta do lápis. Eu normalmente abro só um pouco, igual na foto acima, pois isso garante firmeza e evita que a lâmina quebre (comigo nunca aconteceu, mas acontece). É importante ter calma para apontar com estilete, pois, além de poder se machucar, se você for meio afoito, pode perder muito da mina do lápis ou criar uma ponta frágil (que vai quebrar e te fazer perder mais mina). Para garantir o máximo de controle e eficiência, o ideal é segurar o lápis com uma das mãos, apoiar o estilete e ir empurrando com a outra. Você não quer matar seu lápis, não precisa golpeá-lo.

Encontrei alguns vídeos na internet para poder demonstrar o que estou falando, e você com certeza encontrará vários se der uma fuçada por aí, mas cito esse, do professor Fábio. O vídeo é longo, porque ele faz várias considerações que, se você ainda está lendo esta postagem, com certeza vão te interessar. Mas, se estiver com pressa, pode avançar para 5 min. e 42 seg. quando ele aponta o lápis.

Esse vídeo tem uma continuação, em que o professor afia a ponta do lápis com uma lixa. Muita gente faz isso e desconfio que esse é o jeito certo, mas eu costumo ir afiando o lápis com o estilete mesmo. Mas vale a dica:

 

Apontador

O meu é esse aqui:

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Assim como o estilete, meu apontador é muito simples. Ele veio junto com a caixa de lápis de cor aquarelável da Koh-I-Noor, sobre a qual falarei em breve. Nunca gostei daqueles apontadores que têm reservatório, porque o reservatório enche logo e, quando isso acontece, a ponta do lápis começa a quebrar. Isso até seria um problema fácil de resolver, esvaziando constantemente o reservatório, mas o problema maior é que o reservatório cobre a parte da lâmina e não podemos ver a ponta do lápis enquanto apontamos, o que aumenta as chances de apontarmos demais e a ponta quebrar. Por isso prefiro esses básicos mesmo. São baratos (algo em torno de R$ 2,00), fáceis de achar (tem até no mercado) e você tem mais controle sobre a ponta.

Existem apontadores mais elaborados, que prometem pontas muito interessantes (leia-se: maiores e mais afiadas), como os de manivela e os elétricos (tem versões à pilha também). Eu não tenho nenhum dos dois para poder mostrar, então deixo abaixo dois vídeos para vocês conhecerem. O primeiro é do canal Saia Rasgada, mostrando o apontador à manivela:

 

 

Esse outro vídeo é do canal da Loja Fruto da Arte. Não tenho nenhuma parceria com a loja, mas cito o vídeo pois ele mostra como um apontador elétrico funciona:

Confesso que tenho um pouco de medo desses apontadores elétricos. Acho que são muito brutos e eu tenho ciúmes dos meus lápis… não suportaria vê-los sendo tratados assim! Parece um monstro triturador!

Não está no topo da minha lista de desejos, mas confesso que tenho vontade de comprar um apontador à manivela. Como vocês viram no vídeo, ele aceita uma variação no tamanho da ponta que esses apontadores comuns (de R$ 2,00) não permitem.

Qual eu prefiro

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Nos vídeos dá para ver bem como as pontas podem ficar com cada um dos instrumentos, mas tirei uma foto para mostrar a sujeira que cada um faz. Bem parecidas, né? Por isso que tenho uma lixeirinha debaixo da minha mesa.

Voltando à nossa questão principal, praticamente todo mundo que trabalha com desenho vai dizer que estilete é melhor que apontador, pois dá para aproveitar melhor o lápis. Isso é verdade.

Apesar de ter os dois, eu considero o método Old Schol do estilete muito melhor. Embora ele exija um pouco de paciência e cuidado, o estilete não tira seu tato e assim é possível esculpir a ponta dos lápis e deixá-la do tamanho e da espessura que você precisa, aproveitando todo o potencial do seu lápis e, como você tem total controle sobre a ponta, ela raramente quebra (com um pouco de prática, isso n-u-n-c-a acontece). Para lápis de cor é excelente, pois, fazendo pontas grandes, você não precisa parar toda hora o que está fazendo para apontar novamente. Para lápis grafite é melhor ainda, pois você simplesmente elimina a necessidade comprar lapiseiras.

Se seu sonho é ter uma daquelas lapiseiras profissionais  importadas e lindíssimas, vá em frente! Geralmente são mesmo ótimas. Mas custam bem caro e você vai precisar de mais de uma, com diferentes espessuras. Com um estilete, a ponta do seu único lápis pode cobrir todas as possibilidades de espessura oferecidas pelas suas trinta lapiseiras importadas 😉

Diria então que a grande vantagem do estilete é a versatilidade.

O apontador é um ditador. Com ele, a ponta do seu lápis será sempre a mesma, do mesmo tamanho, da mesma espessura, do mesmo formato. Além do mais, se você trabalha com vários tipos de lápis, vai precisar de vários tipos de apontador ou de algum com várias aberturas, para poder comportar as diferentes espessuras dos seus lápis (pensem num lápis jumbo… pois é: comprou um lápis jumbo, precisa comprar um apontador jumbo também).

Então, se estilete é tão bom, porque eu tenho um apontador? Porque a grande vantagem do apontador é a praticidade. É mais rápido apontar um lápis com apontador do que com um estilete e você tem a ponta fina garantida. Note que só tenho apontador porque existe uma preguiça dentro de mim que me pede para não jogá-lo fora, pois às vezes é útil. Mas eu só uso com os lápis da linha escolar, porque não tenho apego sentimental com eles.  Não tenho coragem de usar apontador com os lápis profissionais, pois esses lápis são lápis de qualidade e faço questão de usá-los bem, e no quesito maximização de performance do lápis, ainda não inventaram nada melhor que o estilete.

Para finalizar, acho que posso resumir todas essa postagem gigantesca em: um estilete faz tudo o que um apontador faria e mais um pouco, mas a recíproca não é verdadeira. Logo, se der parar ter os dois, ótimo; mas se precisar escolher, eu recomendo o estilete.

 

Até mais,

e não esqueça de comentar e seguir o Vinho Tinta lá no Twitter 😉

 

 

Nani