Meus materiais 1: estilete ou apontador?

Olá!

Sempre tive curiosidade a respeito dos materiais que os artistas usam para fazer seus trabalhos e foi por meio de postagens como a que vou fazer hoje que conheci muitos materiais que utilizo atualmente. Meus materiais vai ser uma tag permanente aqui no Vinho Tinta, na qual vou abrir meus estojos e gavetas e mostrar o que uso para fazer meus desenhos. De material profissional a gambiarras, minha ideia é dividir experiências boas e ruins que tive com cada material e, quem sabe, ajudar você a escolher os seus e receber sugestões sobre os meus meus materiais.

Começo falando da eterna disputa entre apontador e estilete. Qual é melhor?

Eu uso os dois, então vamos compará-los.

Estilete

O meu estilete é esse aqui:

CAM00845.jpg

Comprei em uma dessas lojas onde tem de tudo, como aquelas de R$ 1,99. Paguei algo em torno de R$ 5,00 e veio o estilete e duas lâminas extras. Se isso não é barato, eu não sei o que é!

Existem materiais que não precisam ser top de linha. Todos sabemos o quanto materiais técnicos e artísticos são caros e de alguns não temos como escapar, mas gastar muito dinheiro com outros é bobagem. Estilete é um desses casos. No final das contas, o que vai realmente fazer diferença no seu trabalho é o papel e o lápis (ou a tinta, se for o caso), para que as cores sejam vibrantes e duradouras. Mas se você apontar seu lápis com um estilete de R$ 500, um de R$ 5, ou com a faca da cozinha da sua mãe, não importa. A lâmina precisa ser afiada, só isso. Nesse aspecto, o meu me serve muito bem. Tenho ele há quase um ano e ainda não precisei trocar a lâmina. Não sei dizer de que marca é, já faz bastante tempo que comprei e já não tenho mais a caixinha dele, mas é um bem comum mesmo.

Se a gente for pensar bem, dá para matar alguém com um estilete, então não custa nada lembrar que é uma ferramenta que precisa ser manuseada com cuidado. Alguns estiletes são mais simples e a lâmina não fica parada no lugar enquanto você aponta. Eu já tive um desses e é uma derrota. Além de ser perigoso, você precisa ficar segurando a lâmina no lugar, o que é incômodo. Qualquer estilete pouquinha coisa melhor já tem algum sistema de trava na lâmina que vai facilitar sua vida. Esse que uso hoje tem (aqueles dentinhos perto da lâmina).

Não precisa abrir o estilete todo para fazer a ponta do lápis. Eu normalmente abro só um pouco, igual na foto acima, pois isso garante firmeza e evita que a lâmina quebre (comigo nunca aconteceu, mas acontece). É importante ter calma para apontar com estilete, pois, além de poder se machucar, se você for meio afoito, pode perder muito da mina do lápis ou criar uma ponta frágil (que vai quebrar e te fazer perder mais mina). Para garantir o máximo de controle e eficiência, o ideal é segurar o lápis com uma das mãos, apoiar o estilete e ir empurrando com a outra. Você não quer matar seu lápis, não precisa golpeá-lo.

Encontrei alguns vídeos na internet para poder demonstrar o que estou falando, e você com certeza encontrará vários se der uma fuçada por aí, mas cito esse, do professor Fábio. O vídeo é longo, porque ele faz várias considerações que, se você ainda está lendo esta postagem, com certeza vão te interessar. Mas, se estiver com pressa, pode avançar para 5 min. e 42 seg. quando ele aponta o lápis.

Esse vídeo tem uma continuação, em que o professor afia a ponta do lápis com uma lixa. Muita gente faz isso e desconfio que esse é o jeito certo, mas eu costumo ir afiando o lápis com o estilete mesmo. Mas vale a dica:

 

Apontador

O meu é esse aqui:

CAM00850.jpg

Assim como o estilete, meu apontador é muito simples. Ele veio junto com a caixa de lápis de cor aquarelável da Koh-I-Noor, sobre a qual falarei em breve. Nunca gostei daqueles apontadores que têm reservatório, porque o reservatório enche logo e, quando isso acontece, a ponta do lápis começa a quebrar. Isso até seria um problema fácil de resolver, esvaziando constantemente o reservatório, mas o problema maior é que o reservatório cobre a parte da lâmina e não podemos ver a ponta do lápis enquanto apontamos, o que aumenta as chances de apontarmos demais e a ponta quebrar. Por isso prefiro esses básicos mesmo. São baratos (algo em torno de R$ 2,00), fáceis de achar (tem até no mercado) e você tem mais controle sobre a ponta.

Existem apontadores mais elaborados, que prometem pontas muito interessantes (leia-se: maiores e mais afiadas), como os de manivela e os elétricos (tem versões à pilha também). Eu não tenho nenhum dos dois para poder mostrar, então deixo abaixo dois vídeos para vocês conhecerem. O primeiro é do canal Saia Rasgada, mostrando o apontador à manivela:

 

 

Esse outro vídeo é do canal da Loja Fruto da Arte. Não tenho nenhuma parceria com a loja, mas cito o vídeo pois ele mostra como um apontador elétrico funciona:

Confesso que tenho um pouco de medo desses apontadores elétricos. Acho que são muito brutos e eu tenho ciúmes dos meus lápis… não suportaria vê-los sendo tratados assim! Parece um monstro triturador!

Não está no topo da minha lista de desejos, mas confesso que tenho vontade de comprar um apontador à manivela. Como vocês viram no vídeo, ele aceita uma variação no tamanho da ponta que esses apontadores comuns (de R$ 2,00) não permitem.

Qual eu prefiro

CAM00858.jpg

Nos vídeos dá para ver bem como as pontas podem ficar com cada um dos instrumentos, mas tirei uma foto para mostrar a sujeira que cada um faz. Bem parecidas, né? Por isso que tenho uma lixeirinha debaixo da minha mesa.

Voltando à nossa questão principal, praticamente todo mundo que trabalha com desenho vai dizer que estilete é melhor que apontador, pois dá para aproveitar melhor o lápis. Isso é verdade.

Apesar de ter os dois, eu considero o método Old Schol do estilete muito melhor. Embora ele exija um pouco de paciência e cuidado, o estilete não tira seu tato e assim é possível esculpir a ponta dos lápis e deixá-la do tamanho e da espessura que você precisa, aproveitando todo o potencial do seu lápis e, como você tem total controle sobre a ponta, ela raramente quebra (com um pouco de prática, isso n-u-n-c-a acontece). Para lápis de cor é excelente, pois, fazendo pontas grandes, você não precisa parar toda hora o que está fazendo para apontar novamente. Para lápis grafite é melhor ainda, pois você simplesmente elimina a necessidade comprar lapiseiras.

Se seu sonho é ter uma daquelas lapiseiras profissionais  importadas e lindíssimas, vá em frente! Geralmente são mesmo ótimas. Mas custam bem caro e você vai precisar de mais de uma, com diferentes espessuras. Com um estilete, a ponta do seu único lápis pode cobrir todas as possibilidades de espessura oferecidas pelas suas trinta lapiseiras importadas 😉

Diria então que a grande vantagem do estilete é a versatilidade.

O apontador é um ditador. Com ele, a ponta do seu lápis será sempre a mesma, do mesmo tamanho, da mesma espessura, do mesmo formato. Além do mais, se você trabalha com vários tipos de lápis, vai precisar de vários tipos de apontador ou de algum com várias aberturas, para poder comportar as diferentes espessuras dos seus lápis (pensem num lápis jumbo… pois é: comprou um lápis jumbo, precisa comprar um apontador jumbo também).

Então, se estilete é tão bom, porque eu tenho um apontador? Porque a grande vantagem do apontador é a praticidade. É mais rápido apontar um lápis com apontador do que com um estilete e você tem a ponta fina garantida. Note que só tenho apontador porque existe uma preguiça dentro de mim que me pede para não jogá-lo fora, pois às vezes é útil. Mas eu só uso com os lápis da linha escolar, porque não tenho apego sentimental com eles.  Não tenho coragem de usar apontador com os lápis profissionais, pois esses lápis são lápis de qualidade e faço questão de usá-los bem, e no quesito maximização de performance do lápis, ainda não inventaram nada melhor que o estilete.

Para finalizar, acho que posso resumir todas essa postagem gigantesca em: um estilete faz tudo o que um apontador faria e mais um pouco, mas a recíproca não é verdadeira. Logo, se der parar ter os dois, ótimo; mas se precisar escolher, eu recomendo o estilete.

 

Até mais,

e não esqueça de comentar e seguir o Vinho Tinta lá no Twitter 😉

 

 

Nani

 

 

 

 

 

 

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3 comentários em “Meus materiais 1: estilete ou apontador?

    1. Eu sou a prova viva de que gente estabanada pode usar estilete sim! hahaha Tendo uma travinha para a lâmina não escorregar e abrindo ele bem pouco, as chances de se acidentar são quase nulas 🙂 E se o lápis tiver a madeira mais macia, aí é garantido, não precisa ter medo, não 😉 Muito obrigada pelo seu comentário! Sinta-se sempre à vontade por aqui 😉 Bjim :*

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