Projeto Ilustra (abril)

Último dia do mês é dia de Projeto Ilustra!

Hoje a postagem vai ser curtinha, apenas para mostrar o resultado do desafio desse mês, que foi desenhar algo com o tema fundo do mar. Gostei muito desse tema, pois já fazia um tempo que eu estava com vontade de desenhar peixes (o fundo do mar abriga umas criaturas de cores e formas muito bonitas, não é?) e essa foi a deixa!

Simplesmente digitei “fundo do mar” no Pinterest e fiquei me maravilhando com o colorido vivo dos peixes. No final, um par de peixinhos amarelos se escondendo ganhou meu coração (você pode ver a imagem que utilizei como referência aqui).

Para esse desenho utilizei meu caderno de rascunhos, cujas folhas são de papel Canson 90g/m² (tamanho A5), lápis de cor aquareláveis Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz e caneta gel branca Uni-Ball Signo. O resultado foi este:

peixes amarelos - lápis aquarelável koh-i-noor.jpg

Apesar de os lápis serem aquareláveis, utilizei como se eles fossem permanentes. Não vou falar muito sobre usar lápis aquareláveis sem aquarelar agora, pois estou escrevendo uma postagem só para isso, para mostrar tudo certinho, mas não gostei do resultado. Não pelo desenho em si, mas porque a pintura ficou granulada, as cores não se misturaram bem… definitivamente esses lápis não foram feitos para isso (embora aquarelando eles sejam perfeitos. Nessa postagem você pode ver como as cores se comportam bem em contato com a água).

Espero que tenha gostado!

Está participando do Projeto Ilustra também? Posta o link do seu fundo do mar nos comentários para a gente ver!

Aproveita e segue lá o Twitter do Vinho Tinta 😉

Até mais,

 

Nani

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Meus materiais 2: Lápis de cor aquarelável Koh-I-Noor Mondeluz (parte I)

Olá!

Hoje venho mostrar mais um dos materiais que utilizo nos meus desenhos, os lápis da marca Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz. A linha Mondeluz é a linha aquarelável da Koh-I-Noor e existem versões de 12, 24, 36, 48 ou 72 cores. Minha lindona é a de 48:

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Como dá  para perceber, minha caixa já está usada. Na verdade, poderia estar até mais usada. Eu ganhei essa caixa de presente de aniversário em setembro do ano passado, mas faz pouco tempo que superei meu medo infinito de gastar esses lápis.

Desde quando eu decidi investir em materiais melhores, eu estava namorando essa caixa , e no meu aniversário acabei ganhando (na verdade eu estava namorando a de 36 cores, então o presente saiu melhor que a encomenda! Amor ♥). Entretanto, como eu já comentei lá no Twitter do Vinho Tinta, o problema de materiais caros é que eles me bloqueiam, fico com muito medo de errar com eles e gastar material à toa (nenhum desenho é à toa, mesmo o desastrosos, pois eles nos dão experiência. Infelizmente, falar isso é mais fácil do que seguir).

A embalagem dessa caixa é de papelão, dentro há duas bandejas de plástico com 24 lápis cada, e na parte de baixo de cada bandeja vem um pincel (um número 3 e um número 8) , como é possível ver pelas fotos acima. Em um compartimento secreto vem um apontador:

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Olha os pincéis e o apontador aí:

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O apontador é muito simples, de plástico transparente, mais básico do que isso seria impossível. Não é nada que você não possa encontrar na papelaria da esquina e levar para casa por R$ 2; ainda assim, é o apontador que eu uso e tem me servido muito bem (aliás, ele já apareceu em outra resenha aqui).

Os pincéis já surpreendem um pouco mais, são excelentes!

Quando vi que vinham dois pinceis na caixa, imaginei que seriam bem fuleira, só para matarmos a vontade de aquarelar, mas que depois seria necessário comprar um pincel bom… que engano o meu! Eu diria que dá para ficar só com esses dois pinceis tranquilamente, pois além de serem muito bons, a escolha dos tamanhos também foi muito inteligente.

Na caixa não fala qual o material das cerdas desses pincéis, mas são tão macias e delicadas que não posso acreditar que sejam sintéticas. Se alguém souber o material dessa cerdas, por favor, deixe nos comentários, pois eu realmente gostaria de saber. Eu tenho pincéis sintéticos, de pelo de marta, de marta tropical (apesar da incoerência do nome) e de orelha de boi, mas acho que esses são os mais macios que tenho!

Agora vamos às estrelas:

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A mina desses lápis é muito macia, como é comum entre os lápis aquareláveis e pouquíssima coisa maior um lápis comum (estou usando como referência os lápis de cor da linha escolar da Faber-Castell, que todo mundo conhece). O corpo do lápis também é parecido com um lápis comum e é sextavado, mas com as quinas mais suaves do que os escolares da Faber. Para mim, isso de corpo triangular, redondo, sextavado… não faz a menor diferença. A única coisa que realmente me faz estranhar ou não um lápis é o diâmetro do corpo. Quando o corpo do lápis é muito grosso ou muito fino, então eu sinto alguma diferença na hora de pintar, mas isso não acontece com esses lápis. Nas duas fotos abaixo eu coloquei um lápis Mondeluz (lápis da esquerda) ao lado de um comum (lápis da direita) para vocês verem como são parecidos:

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Assim como a mina, a madeira também é muito macia (na propaganda diz que os lápis são feitos de Cedro, não sou especialista em madeira, mas essa é tão macia que eu acredito), então são muito fáceis de apontar. E como eles são muito bem pigmentados, você não precisa fazer força alguma para deixar bastante cor no papel. A pedreira aqui, acostumada com lápis de cor escolar (bem mais duro), demorou para pegar o jeito e o resultado é que meu lápis preto já está quase na metade (e não é porque usei tudo isso, é porque quebrei muitas vezes a ponta dele).

Apesar de os lápis serem muito macios, não achei que se desgastam tanto como li em algumas resenhas. Como eu disse, eles são muito pigmentados, então praticamente não é preciso fazer força e com quase nada de mina, você tem uma cor muito intensa, uniforme, brilhante e bonita. A dificuldade talvez venha do fato de que, por serem muito macios, mesmo afiando bem as pontas deles, elas não duram muito.

Importante observar também que, apesar dessa etiqueta:

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esses lápis têm qualidade intermediária. Provavelmente essa etiqueta foi colocada pela loja para diferenciar essa caixa de outras de menor qualidade, mas não chega a ser um material profissional.

Existem basicamente três tipos de lápis de cor, os lápis de linhas escolares/estudantes, os lápis intermediários e os lápis profissionais/artísticos. Os lápis de linhas de linhas escolares são muito básicos, a mina deles tem menos pigmentos, a madeira é menos nobre, então as cores são menos intensas e os lápis mais duros. É possível fazer bons trabalhos com eles, mas você sofre um pouco mais e seus desenhos provavelmente desbotarão com o tempo (ainda pretendo fazer uma postagem sobre a qualidade da resistência à luz dos lápis de cor, mas, em linhas gerais, os pigmentos dos lápis escolares são inferiores e não resistem bem à luz, por isso acabam desbotando). Os lápis de linhas intermediárias são o primeiro passo rumo aos lápis profissionais, por isso apresentam muitas das características comuns aos lápis profissionais, como uma mina mais macia e mais pigmentada. Há quem diga que muitas linhas intermediárias (as da Koh-I-Noor, por exemplo) não perdem em nada para as profissionais. Foi  com isso em mente que preferi me aventurar com uma caixa de lápis intermediários (um pouco mais baratos) antes de investir meu rim em uma caixa profissional. Os lápis profissionais são fabricados pensando não apenas nas cores, mas também na durabilidade dos trabalhos, por isso, além da maciez e boa pigmentação da mina e da nobreza da madeira, as cores são mais resistentes à luz.

Uma boa maneira de saber se os lápis que você está levando para casa são intermediários ou profissionais (além do preço) é pesquisar nos site da marca sobre a linha que você está adquirindo, pois a marca sabe o que está vendendo, mas loja em que você está comprando, nem sempre sabe. Marcas sérias costumam respeitar seus clientes e diferenciar muito bem seus produtos. Se não houver nenhum tipo de indicação ou preocupação com a menção à qualidade e nobreza dos materiais, bem como à resistência à luz, provavelmente esses lápis não possuem tais características e não podem ser considerados profissionais. Não há problema nenhum em comprar lápis escolares ou intermediários, você só precisa estar informado para poder levar exatamente o que procura. Uma dica um pouco mais prática para diferenciar os lápis é que os profissionais costumam vir melhor embalados (em embalagens de metal ou madeira), enquanto os demais costumam vir em embalagens de papelão; além disso, os lápis profissionais são vendidos também avulsos, justamente para que os artistas possam repor seus estoques sem precisar comprar o estojo todo.

***

Fiz um desenho para mostrar os Koh-I-Noor Hardtmuth Mondeluz em ação. O desenho todo foi feito com esses lápis, até mesmo o esboço. Não é bom usar lápis grafite para fazer esboço quando se pretende aquarelar depois, pois ele vai manchar quando você passar água, ou então a parte colorida vai aquarelar e a parte em grafite vai ficar intacta – um lindo risco de grafite na sua aquarela. Em qualquer um dos casos, não é bom.

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Olha como esses lápis são pigmentados, como a cor é intensa! Não fiz força nenhuma e olha como as cores ficaram vibrantes:

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As cores também dissolvem e se misturam muito bem quando molhadas:

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Como acontece com qualquer aquarela, as corem ficam um pouco mais claras depois de secas:

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Depois de secas, as cores não aquarelam de novo, isso possibilita que você passe o lápis e aquarele por cima sem comprometer a camada de baixo. Eu acho isso uma vantagem.

Também é possível utilizar esses lápis como uma aquarela comum. Basta riscar um papel qualquer (eu risquei a fita crepe que prendia meu desenho) e utilizar seu rabisco como utilizaria uma pastilha de aquarela:

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Fiz o fundo todo do desenho com essa pastilha de aquarela improvisada. E esse foi o resultado final:

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Para esse teste eu utilizei papel Canson 224 g/m². Essa gramatura é baixa para aquarelar, o papel não suporta muitas aguadas, então, em alguns pontos ele ficou meio áspero, mas a culpa não foi dos lápis ou do papel, eu que fui teimosa. Fora isso, os lápis são realmente ótimos e recomendo a todos que queiram lápis aquareláveis macios, com cores fortes e que  dissolvem e se misturam bem.

Em breve postarei a segunda parte desse assunto, que é sobre usar lápis aquareláveis sem aquarelar (é possível e muita gente faz, mas eu não achei que é um negócio tão bom assim).

Espero que essa postagem tenha sido útil 😉

Aproveita que está com a mão no mouse e segue o  Twitter do vinho Tinta  😉

 

Até mais :*

 

 

Nani

 

Lista de desafios (desafio 10): nada em carvão

Hoje trago o resultado de mais um desafio da minha lista (você pode ler mais sobre esse projeto aqui). Conforme tinha anunciado lá no Twitter do Vinho Tinta, o desafio sorteado foi desenhar o nada em carvão.

Para variar, quebrei bastante a cabeça, mas minha primeira ideia foi fazer um olhar vazio. Mudei de ideia e decidi fazer alguém se olhando no espelho e depois eu pensaria em como fazer esse espelho, talvez sem reflexo. Voltei para a ideia original e decidi fazer um olhar vazado, sem olhos. O resultado foi o seguinte:

desafio 5  - nada - carvão.jpg

Os olhos vazados são uma coisa que acho muito interessante e pretendo explorar mais em meus desenhos, assim como rostos sem face. Acho isso extremamente assustador. Penso que deve ter a ver com essa ideia de que os olhos são a janela da alma, então alguém sem olhos ou não teria alma ou teria algo a esconder… seria uma pessoa misteriosa e de um mistério que não inspira boas coisas. Também quis dar um efeito “infinito” nesse desenho, como se a personagem estivessem caindo em algo sem fim, para o desenho ganhar um ar “transcendente”, por isso essas linhas no fundo.

Esse desenho eu fiz no meu caderno da Canson. Ele tem tamanho A5 e folhas de 90g/m² (ele ainda vai ganhar uma postagem na tag de materiais). Ao invés de usar aqueles bastõezinhos de carvão, utilizei apenas um lápis carvão da Koh-I-Noor Hardtmuth, pois eu queria um desenho rápido (que parecesse mesmo um rascunho) e com o contraste bem forte entre o preto e branco (sem muitas nuances de cinza). Meus bastões de carvão são bem pretos, mas o lápis é mais, daí a escolha.

Finalizei com um verniz fixador fosco da Acrilex. Tenho meus problemas com verniz (prometo que falo melhor sobre isso em uma postagem também), mas nesse caso não teve jeito. Como manter um desenho feito em carvão em um caderno que fica comigo para lá e para cá sem manchar? Os desenhos em grafite já mancham muito (contra cada fibra do meu ser, começo a considerar passar verniz neles também)… com desenhos em carvão não tem conversa: terminou o desenho, antes de respirar perto deles, é preciso envernizar.

Como referência para esse desafio, utilizei essa foto:

um olhar do paraíso.jpg

É a cena de um filme chamado Um olhar do paraíso. Na verdade, não assisti a esse filme (Quem já assistiu? Recomenda?), apenas vi essa imagem enquanto vagava pela internet e achei que serviria perfeitamente aos meus propósitos. Acabei aproveitando até a textura do chão para fazer aquele efeito de queda no infinito, que de início eu ia fazer com uma espiral, mas achei essas formas retas mais interessantes.

Por enquanto é só isso 😉

Assim que sortear mais um desafio, eu aviso la no Twitter do Vinho Tinta (aproveita pra seguir ;)).

 

Até mais,

 

 

Nani

 

Meus materiais 1: estilete ou apontador?

Olá!

Sempre tive curiosidade a respeito dos materiais que os artistas usam para fazer seus trabalhos e foi por meio de postagens como a que vou fazer hoje que conheci muitos materiais que utilizo atualmente. Meus materiais vai ser uma tag permanente aqui no Vinho Tinta, na qual vou abrir meus estojos e gavetas e mostrar o que uso para fazer meus desenhos. De material profissional a gambiarras, minha ideia é dividir experiências boas e ruins que tive com cada material e, quem sabe, ajudar você a escolher os seus e receber sugestões sobre os meus meus materiais.

Começo falando da eterna disputa entre apontador e estilete. Qual é melhor?

Eu uso os dois, então vamos compará-los.

Estilete

O meu estilete é esse aqui:

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Comprei em uma dessas lojas onde tem de tudo, como aquelas de R$ 1,99. Paguei algo em torno de R$ 5,00 e veio o estilete e duas lâminas extras. Se isso não é barato, eu não sei o que é!

Existem materiais que não precisam ser top de linha. Todos sabemos o quanto materiais técnicos e artísticos são caros e de alguns não temos como escapar, mas gastar muito dinheiro com outros é bobagem. Estilete é um desses casos. No final das contas, o que vai realmente fazer diferença no seu trabalho é o papel e o lápis (ou a tinta, se for o caso), para que as cores sejam vibrantes e duradouras. Mas se você apontar seu lápis com um estilete de R$ 500, um de R$ 5, ou com a faca da cozinha da sua mãe, não importa. A lâmina precisa ser afiada, só isso. Nesse aspecto, o meu me serve muito bem. Tenho ele há quase um ano e ainda não precisei trocar a lâmina. Não sei dizer de que marca é, já faz bastante tempo que comprei e já não tenho mais a caixinha dele, mas é um bem comum mesmo.

Se a gente for pensar bem, dá para matar alguém com um estilete, então não custa nada lembrar que é uma ferramenta que precisa ser manuseada com cuidado. Alguns estiletes são mais simples e a lâmina não fica parada no lugar enquanto você aponta. Eu já tive um desses e é uma derrota. Além de ser perigoso, você precisa ficar segurando a lâmina no lugar, o que é incômodo. Qualquer estilete pouquinha coisa melhor já tem algum sistema de trava na lâmina que vai facilitar sua vida. Esse que uso hoje tem (aqueles dentinhos perto da lâmina).

Não precisa abrir o estilete todo para fazer a ponta do lápis. Eu normalmente abro só um pouco, igual na foto acima, pois isso garante firmeza e evita que a lâmina quebre (comigo nunca aconteceu, mas acontece). É importante ter calma para apontar com estilete, pois, além de poder se machucar, se você for meio afoito, pode perder muito da mina do lápis ou criar uma ponta frágil (que vai quebrar e te fazer perder mais mina). Para garantir o máximo de controle e eficiência, o ideal é segurar o lápis com uma das mãos, apoiar o estilete e ir empurrando com a outra. Você não quer matar seu lápis, não precisa golpeá-lo.

Encontrei alguns vídeos na internet para poder demonstrar o que estou falando, e você com certeza encontrará vários se der uma fuçada por aí, mas cito esse, do professor Fábio. O vídeo é longo, porque ele faz várias considerações que, se você ainda está lendo esta postagem, com certeza vão te interessar. Mas, se estiver com pressa, pode avançar para 5 min. e 42 seg. quando ele aponta o lápis.

Esse vídeo tem uma continuação, em que o professor afia a ponta do lápis com uma lixa. Muita gente faz isso e desconfio que esse é o jeito certo, mas eu costumo ir afiando o lápis com o estilete mesmo. Mas vale a dica:

 

Apontador

O meu é esse aqui:

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Assim como o estilete, meu apontador é muito simples. Ele veio junto com a caixa de lápis de cor aquarelável da Koh-I-Noor, sobre a qual falarei em breve. Nunca gostei daqueles apontadores que têm reservatório, porque o reservatório enche logo e, quando isso acontece, a ponta do lápis começa a quebrar. Isso até seria um problema fácil de resolver, esvaziando constantemente o reservatório, mas o problema maior é que o reservatório cobre a parte da lâmina e não podemos ver a ponta do lápis enquanto apontamos, o que aumenta as chances de apontarmos demais e a ponta quebrar. Por isso prefiro esses básicos mesmo. São baratos (algo em torno de R$ 2,00), fáceis de achar (tem até no mercado) e você tem mais controle sobre a ponta.

Existem apontadores mais elaborados, que prometem pontas muito interessantes (leia-se: maiores e mais afiadas), como os de manivela e os elétricos (tem versões à pilha também). Eu não tenho nenhum dos dois para poder mostrar, então deixo abaixo dois vídeos para vocês conhecerem. O primeiro é do canal Saia Rasgada, mostrando o apontador à manivela:

 

 

Esse outro vídeo é do canal da Loja Fruto da Arte. Não tenho nenhuma parceria com a loja, mas cito o vídeo pois ele mostra como um apontador elétrico funciona:

Confesso que tenho um pouco de medo desses apontadores elétricos. Acho que são muito brutos e eu tenho ciúmes dos meus lápis… não suportaria vê-los sendo tratados assim! Parece um monstro triturador!

Não está no topo da minha lista de desejos, mas confesso que tenho vontade de comprar um apontador à manivela. Como vocês viram no vídeo, ele aceita uma variação no tamanho da ponta que esses apontadores comuns (de R$ 2,00) não permitem.

Qual eu prefiro

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Nos vídeos dá para ver bem como as pontas podem ficar com cada um dos instrumentos, mas tirei uma foto para mostrar a sujeira que cada um faz. Bem parecidas, né? Por isso que tenho uma lixeirinha debaixo da minha mesa.

Voltando à nossa questão principal, praticamente todo mundo que trabalha com desenho vai dizer que estilete é melhor que apontador, pois dá para aproveitar melhor o lápis. Isso é verdade.

Apesar de ter os dois, eu considero o método Old Schol do estilete muito melhor. Embora ele exija um pouco de paciência e cuidado, o estilete não tira seu tato e assim é possível esculpir a ponta dos lápis e deixá-la do tamanho e da espessura que você precisa, aproveitando todo o potencial do seu lápis e, como você tem total controle sobre a ponta, ela raramente quebra (com um pouco de prática, isso n-u-n-c-a acontece). Para lápis de cor é excelente, pois, fazendo pontas grandes, você não precisa parar toda hora o que está fazendo para apontar novamente. Para lápis grafite é melhor ainda, pois você simplesmente elimina a necessidade comprar lapiseiras.

Se seu sonho é ter uma daquelas lapiseiras profissionais  importadas e lindíssimas, vá em frente! Geralmente são mesmo ótimas. Mas custam bem caro e você vai precisar de mais de uma, com diferentes espessuras. Com um estilete, a ponta do seu único lápis pode cobrir todas as possibilidades de espessura oferecidas pelas suas trinta lapiseiras importadas 😉

Diria então que a grande vantagem do estilete é a versatilidade.

O apontador é um ditador. Com ele, a ponta do seu lápis será sempre a mesma, do mesmo tamanho, da mesma espessura, do mesmo formato. Além do mais, se você trabalha com vários tipos de lápis, vai precisar de vários tipos de apontador ou de algum com várias aberturas, para poder comportar as diferentes espessuras dos seus lápis (pensem num lápis jumbo… pois é: comprou um lápis jumbo, precisa comprar um apontador jumbo também).

Então, se estilete é tão bom, porque eu tenho um apontador? Porque a grande vantagem do apontador é a praticidade. É mais rápido apontar um lápis com apontador do que com um estilete e você tem a ponta fina garantida. Note que só tenho apontador porque existe uma preguiça dentro de mim que me pede para não jogá-lo fora, pois às vezes é útil. Mas eu só uso com os lápis da linha escolar, porque não tenho apego sentimental com eles.  Não tenho coragem de usar apontador com os lápis profissionais, pois esses lápis são lápis de qualidade e faço questão de usá-los bem, e no quesito maximização de performance do lápis, ainda não inventaram nada melhor que o estilete.

Para finalizar, acho que posso resumir todas essa postagem gigantesca em: um estilete faz tudo o que um apontador faria e mais um pouco, mas a recíproca não é verdadeira. Logo, se der parar ter os dois, ótimo; mas se precisar escolher, eu recomendo o estilete.

 

Até mais,

e não esqueça de comentar e seguir o Vinho Tinta lá no Twitter 😉

 

 

Nani

 

 

 

 

 

 

Lista de desafios (desafio 9): mulher nua em sanguínea

 

Olá!

Mais um desafio terminado! Dessa vez eu precisava desenhar uma mulher nua em sanguínea. Para quem está chegando agora, expliquei como funcionam esses desafios aqui.

Fazia uns dias que eu estava com O nascimento de Vênus, de Botticelli, colado na minha prancheta, esperando uma oportunidade. Quando saiu esse desafio, de início pensei em desenhar apenas a Vênus, depois resolvi fazer o quadro todo, depois resolvi fazer o quadro todo, mas com a Vênus em outra posição… depois mudei completamente de ideia e decidi desenhar uma cena cotidiana.

Simples? Nem um pouco.

Eu queria usar como referência uma foto de alguma mulher que não estivesse agindo estranho porque estava pelada. Pensei em algo mais natural, como aquela foto da Simone de Beauvoir se vestindo no banheiro. Na verdade, pensei em desenhar exatamente essa foto, mas também desisti, pois queria uma anônima qualquer posando e uma foto menos conhecida. Nesse ponto eu já tinha bem claro na minha mente o que eu queria, só não estava conseguindo encontrar a foto certa para me servir como referência.

O problema é que eu queria uma foto espontânea, de uma mulher normal, que não fosse modelo e que não estivesse fazendo nenhuma pose forçada. Aqueles ensaios sensuais estavam fora de cogitação, eu não queria ninguém fazendo “carão”. Eu queria alguém com cara de cansada, de triste, de feliz, de medo… alguma expressão autêntica. Aqueles ensaios mais conceituais, apesar de serem lindos, também não me serviam.

Procurei por muitos dias até que finalmente encontrei o The Nu Project! Finalmente alguém estava falando a minha língua! Nesse projeto, pessoas comuns são fotografadas em seus próprios ambientes, fazendo coisas normais: dando risada, cozinhando, conversando, mexendo no computador… Não tem ninguém agindo estranho porque está nu, não tem nenhum corpo muito diferente dos nossos, a beleza vem da naturalidade e graça vem da identificação com as pessoas fotografadas. Veja o site e vai entender do que estou falando.

A partir daí, o problema foi escolher a foto, pois, dessa vez, muitas serviam ao meu propósito. Acabei escolhendo a foto de uma mulher tomando vinho e sorrindo, em homenagem ao Vinho Tinta (=D). Esse foi o resultado:

mulher nua com taça de vinho - sanguínea.jpg

Sanguínea é uma espécie de giz marrom-avermelhado que dá esse tom lindo e esse jeito de rascunho profissional. Nesse caso, usei o lápis pastel seco Gioconda, da Koh-I-Noor Hardtmuth, cor Red Chalk. Esse desenho fiz no meu caderno de rascunhos mesmo, ele é da Canson, com folhas de 90g/m² em tamanho A5. Uma parte do desenho está com a cor menos vibrante, menos avermelhada. No desenho original não está assim, a cor está bem uniforme. Mas acho que sei o que houve: meu esfuminho estava sujo de grafite e não limpei direito antes de esfumar o pastel, o que manchou o desenho. Consegui limpar o desenho original e a mancha ficou imperceptível, mas, quando digitalizei, o fundo do grafite deve ter aparecido. Como o caderno é espiral, algumas partes do desenho também não tocaram o vidro do scanner… acho que isso contribuiu para que uma parte ficasse fora de foco… e como minha habilidade com o Photoshop não me permitem correções desse tipo… acho que da próxima vez devo fotografar ao invés de scanear desenhos desse caderno.

Tenho algumas dúvidas quanto a umas partes do desenho, mas de maneira geral, gostei de fazê-lo e gostei do resultado final. Penso que transmite a naturalidade que eu estava buscando, o resto são detalhes.

Agora é só sortear o próximo desafio! Assim que eu fizer o sorteio, aviso lá no Twitter do Vinho Tinta. Aproveita pra seguir 😉

 

Até mais,

 

 

Nani